Após a eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos, o uso do Twitter virou moda entre os políticos brasileiros. Em terras bauruenses, desponta como uma das formas favoritas para fazer a divulgação do mandato de vereadores, deputados e até mesmo do chefe do Executivo. Entretanto, como em toda nova onda, já há como apontar os pecados cometidos por políticos sem muita manha com o microblog – uma das mais influentes ferramentas de comunicação instantânea da grande rede.
Além de pausas prolongadas de interação – o último post do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), por exemplo, foi no dia da visita do governador José Serra (PSDB) a Bauru, em 28 de janeiro – outros transferem a tarefa de se comunicar com os seguidores a seus assessores, o que imprime certo caráter impessoal às mensagens.
Outro pecado do Twitter: longas mensagens fracionadas em várias postagens, com o objetivo de fugir à imposição dos 140 caracteres, o que ocupa espaço excessivo na página principal dos seguidores. A maioria faz isso.
Além do baixo uso de links para vídeos e áudios – principal demanda dos usuários –, instrumentos que exploram as possibilidades da Internet e são eficazes peças de difusão da imagem. O Twitter de Carlinhos do PS (PP) se resume apenas a dizer o local em que ele está – coincidentemente nas sessões do Legislativo. Não há links, sequer opiniões.
Entre os erros mais comuns de grafia está a palavra “sumiço”. Para o coordenador do curso de Rádio de TV da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Tuca Américo, é necessário usar o bom senso no Twitter. “Você deve twittar realmente o que tem certeza, o que é uma informação. A questão do uso da grafia no Twitter, acho que tem duas formas. Ou você usa a língua portuguesa corrente ou você pode usar aquela forma da Internet. O problema é teclar no português errado. Desta forma, o político acaba se expondo. O marketing é negativo para ele. Nessa ansiedade, por ser uma mídia barata, tem muito político que acaba tendo algumas atitudes não muito corretas e acaba repercutindo mal para o eleitorado dele, acaba dando munição para os inimigos.”
Adepto da ferramenta, o caso do vereador Fernando Mantovani (PSDB) não foi de erro de grafia, mas sem dúvida entrou para o hall das “gafes digitais”. No ano passado, ele postou em seu Twitter que iria participar de uma fiscalização da Secretaria Municipal de Planejamento horas antes dela acontecer. Ou seja, se havia alguma irregularidade, ela vou desfeita antes mesmo de ser flagrada.
Ferramenta
A maioria dos políticos ainda não sabe como usar com eficácia o Twitter. E isso em um ano eleitoral marcado pela ampliação da liberdade da Internet durante em época de campanha – resultado da aprovação da minirreforma eleitoral pelo Congresso, como ressalta Celso Zonta, professor de psicologia social da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
“Devemos considerar que nem todos têm acesso. Estamos no caminho, mas isso não é suficiente. Por isso, que esse tipo de mídia passa sempre a ser auxiliar. Para a população, se o político escorrega, essa comunicação se propaga de uma maneira absolutamente rápida, de uma tal maneira que fica muito difícil ele consertar ou esconder certos fatos ou situações de sua imagem. Tanto para o bem quanto para o mal. Por isso, que nesta campanha eleitoral tem um conjunto de regras para o uso da Internet”, afirma.
No início deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), acatando representação do Ministério Público Eleitoral (MPE-AC), condenou Francisco Vagner de Santana Amorim, o Deda Amorim (PP), por propaganda eleitoral antecipada em sua página pessoal do Twitter. O acórdão, relatado pela desembargadora Eva Evangelista, obriga a retirada das postagens com teor ilegal, além do pagamento de multa no valor de R$ 5 mil.