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Campanha da Fraternidade, a idolatria, o governo e nós!

Odir Gil de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

O Tema Base da CF/2010, "Economia e Vida", com o Lema "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (Mt 6,24), atinge a todos nós, religiosos ou não, uma vez que a mesma versa sobre o flagelo do século: a ganância generalizada que governa o mundo, seja capitalista ou comunista. Os bens naturais dados gratuitamente por Deus para serem usufruídos por todos são motivos de guerras, sede de poder e ambição. Enquanto o pecado da idolatria era apenas pessoal o seu mal, era restrito, pois havia um responsável, o "Eu!", porém, quando esta idolatria é exercida em nome de governos, bancos e grandes empresas o culpado some e se esconde nas sombras do poder. Somente para refrescar a nossa frágil memória relembraremos alguns fatos: a "nossa" Petrobras, que nasceu com o grito patriótico de "o petróleo é nosso" exporta seus produto excedentes para nossos vizinhos, evidentemente com lucros, que por sua vez revendem ao seus cidadãos com margem justa dos mesmos, com preço final bem mais barato do que o preço oferecido aos habitantes tupiniquins do patropi, abençoado por Deus, espoliados por nossos governantes que deveriam gerir as nossas riquezas em nome do bem comum.

A nossa energia elétrica privatizada a preço de "banana", em sua grande maioria pago através de papeis podres financiados pelo próprio governo e de geração barata, pois é feita através da água proveniente da natureza, é uma das mais caras do mundo. Quando, a pedido do governo, fizemos um esforço conjugado para poupar energia em 20%, imediatamente após essa poupança essa energia foi reajustada no mesmo teor, sob pretexto de que as empresas não poderiam ter queda de arrecadação. Agora, recentemente, temos a notícia de que durante anos houve um "erro" no reajuste das tarifas com conseqüência de ganhos de "alguns milhões ", que serão ressarcidos na devolução em parcelas ínfimas, provavelmente a perder de vista.

No ano passado, o governo, através da famigerada Lei dos Compulsórios, decretou o calote legal, ou seja, quando nos deve, paga quando quiser e se quiser. A recíproca infelizmente é draconiana e não verdadeira. Pagamos IPVA e depois pagamos pedágios que custam quase o preço do combustível. O nosso Imposto de Renda, que na década de 70 e 80 nos facultava deduzir gastos com aluguéis, escola integral, juros bancários, manutenção de casa de aluguel, despesas com livros técnicos, foram cortados pelos governantes “democráticos”.

Os bancos, que nos pagam juros de 0,6%, trabalham com nossas economias com juros de até 12%.Nossos juros são o segundo maior do mundo e o governo agora estuda a taxação até das Cadernetas de Poupança. Tudo é válido para tirar dinheiro do povo. O aposentado que teve a possibilidade de contribuir com mais de um salário mínimo é tratado como culpado e tem suas aposentadorias reajustadas com perdas médias de 2,5% ao ano, o que significa perda de 10% a cada quatro anos. E os nossos Três Poderes, que deveriam defender o bem-estar do povo, chafurdam cada vez mais nas lamas dos escândalos. Continuamos como uma Grande Capitania Hereditária, onde os políticos e detentores do poder econômico estão acima da lei, protegidos entre si e por imunidade imorais. (Você conhece algum corrupto que continua preso?). Algum leitor se sente representado por algum político?

Nosso Papa Bento XVI tem repetidas vezes salientado que as mudanças sociais somente acontecerão através de Politicas Públicas voltadas para o bem comum ; ricos ou pobres devem ter o mesmo tratamento. Não nos esqueçamos que este ano político é de suma importância para nós. Se existem políticos corruptos, é sinal de que existem milhões de eleitores tão corruptos quanto eles. Vamos votar com consciência, não com base em promessas futuras, e sim com base naquilo que foi realizado ou não no passado. Basta de pão e circo. Dar simplesmente bolsa disto e bolsa daquilo serve apenas para combater o efeito. Não vemos combate concreto à Causa. Queremos trabalho digno para todos com pagamento justo para comprarmos o nosso próprio pão e pagarmos o nosso próprio circo.

O autor, Odir Gil de Souza,é engenheiro civil, tesoureiro da Cáritas Diocesana de Bauru, conselheiro da Assenag e ex-membro da Comissão de Combate à Corrupção Eleitoral.

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