Brasília - O governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido), deverá ficar pelo menos mais uma semana preso. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, relator do habeas corpus impetrado pela defesa de Arruda, afirmou ontem que a “tendência” é que a corte julgue o pedido só na próxima semana. “Provavelmente na quarta-feira”, disse o ministro.
Indagado se Arruda continuaria mais tempo preso, Marco Aurélio respondeu: “Tantos ficam, por que não ele? Processo para mim não tem capa, tem conteúdo”. Na sexta-feira passada, ele negou o pedido de habeas corpus, mas sua decisão não entrou no mérito da questão. Isso será feito no plenário do STF, pelos 11 ministros.
A decisão que manteve Arruda preso foi encaminhado ontem para a Procuradoria-Geral da República, que tem dois dias de prazo para se manifestar. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que a “posição” do órgão - favorável à prisão do governador afastado - é conhecida, por isso a resposta não deve demorar.
Depois disso, o caso será analisado no Supremo. “Aí precisarei de alguns dias para estudar e elaborar o voto”, afirmou o ministro Marco Aurélio Mello.
José Gerardo Grossi, um dos advogados de Arruda, disse ontem, após visitá-lo na prisão, que a equipe que o defende vai se reunir sexta para reavaliar a estratégia da defesa.
O advogado contou que Arruda “está naturalmente abatido, nervoso, fazendo um processo de reflexão que é o caminho que todo preso acaba fazendo”. Os aliados do governador afastado contrários à sua renúncia agora usam novo argumento para sua posição: o governador afastado perderia o foro privilegiado e o direito de permanecer preso numa sala sem grades, com ar-condicionado e podendo receber visitas diárias. Caso renuncie, será transferido para uma cela comum.
Arruda tem pelo menos mais 30 dias para decidir sobre a renúncia se os prazos forem cumpridos à risca pela Câmara Legislativa. Ele enfrenta na casa três pedidos de impeachment.
Marco Aurélio também vai analisar um segundo habeas corpus, este impetrado pela defesa de Weligton Moraes, ex-secretário do governo do DF preso com Arruda por tentar subornar uma testemunha do mensalão do DEM.