Porto Príncipe - Um juiz haitiano anunciou ontem a decisão de libertar oito dos dez missionários norte-americanos presos em janeiro sob suspeita de sequestro infantil. Duas outras integrantes do grupo, Laura Silsby e Charisa Coulter, permanecerão detidas para interrogatórios.
Os missionários, a maioria dos quais ligados a uma igreja batista de Idaho, foram presos na fronteira com a República Dominicana tentando retirar do Haiti 33 crianças sem documentação, apresentadas como órfãs do terremoto de janeiro.
Os religiosos negaram o sequestro e disseram que pretendiam ajudar as crianças. Soube-se depois que vários menores tinham pais vivos, que entregaram seus filhos na esperança de que eles tivessem uma vida melhor no Exterior.
O juiz de instrução Bernard Sainvil falou à reportagem quando chegava ao tribunal para anunciar a decisão aos norte-americanos.
“Já preparei o esboço da ordem de libertação de oito dos norte-americanos hoje (ontem), mas no que diz respeito às senhoras Silsby e Coulter preciso fazer algumas outras perguntas. Na verdade, estou considerando ouvi-las já amanhã (hoje) (...), então elas vão continuar detidas enquanto aprofundo minha investigação.”
O caso ameaçou provocar atritos entre os governos dos Estados Unidos e do Haiti, mas Claudy Gassant, secretário de Estado do Haiti para Assuntos Penais, disse que Washington permitiu que o Judiciário haitiano mantivesse seu trâmite.
França dará R$ 819 milhões
A França entregará 326 milhões de euros (cerca de R$ 819 milhões) para ajuda humanitária ao Haiti,. O pacote inclui o cancelamento de uma dívida de 56 milhões de euros (R$ 140 milhões), anunciou Nicolas Sarkozy, na primeira visita de um presidente francês ao Haiti.
Além de visitar um hospital de campo francês na capital, Porto Príncipe, Sarkozy pretende, com sua visita, virar a página na longa história de relações difíceis entre a França e o Haiti, que conquistou sua independência em 1804, após uma revolta sangrenta dos escravos negros contra seus senhores brancos.
O presidente francês se reuniu com líderes do Haiti para oferecer o apoio financeiro da França a um plano de recuperação e reconstrução pós-terremoto que está sendo traçado por doadores estrangeiros e o governo haitiano.
Durante sua visita, Sarkozy sobrevoou de helicóptero as áreas de Porto Príncipe mais afetadas pelo terremoto.
Além de oferecer ajuda emergencial imediata aos feridos e desabrigados pelo sismo, os doadores internacionais querem apoiar a recuperação de longo prazo do Haiti, na tentativa de arrancar o país mais pobre do continente de um ciclo de miséria e instabilidade política.