Nascida e criada no meio rural de Macatuba, Claudice Grin sentiu desde muito jovem as dificuldades que a deficiência visual iria lhe impor ao longo da vida. Quando pequena, percebia o preconceito por parte de algumas crianças que a excluíam das brincadeiras.
Entretanto, em sua juventude, o que mais afligia Claudice era a impossibilidade de estudar. Ela adorava desafios e se interessava muito pelos estudos, o que a fez procurar os irmãos mais velhos para aprender. Assim que seus irmãos voltavam da escola, Claudice perguntava sobre as aulas e se aplicava em aprender o que era passado por eles.
Além disso, desde nova, a estudante procurou ter uma rotina diária mais independente e uma vida totalmente normal. Apesar das barreiras impostas por sua deficiência, ela nunca desistiu de sonhar e tentar concretizar seus sonhos, o que a levou a trilhar um caminho diferenciado e de destaque.
Além de muita força de vontade, determinação e perseverança, Claudice sempre contou com o respaldo de uma excelente memória, utilizando esse dom em sua vantagem para despontar nos estudos e, claro, para manter sua vida organizada. “Eu tenho uma ótima memória. Lembro de coisas que até eu mesmo duvido”, revela ao afirmar que até mesmo companheiros de sala questionavam as notas atingidas na faculdade, insinuando que professores eram tendenciosos. “Falavam que os professores puxavam o meu saco, mas não era assim. Eu tirava notas altas por mérito”, garante Claudice.
Ela entrou na USC em 1998, mas continuou morando em Macatuba e viajava de ônibus todos os dias para Bauru. Para chegar até o ponto de ônibus, ela sai às 17h30 de casa e faz uma caminhada de 15 minutos guiada por sua bengala.
Com a ajuda das pessoas presentes no ponto, entra no ônibus em direção a Bauru. Ao chegar na universidade, geralmente conta com a companhia de amigos para chegar à sala de aula. “Sempre vou acompanhada até a sala de aula porque é difícil atravessar a rua e subir as escadas da faculdade”.
Durante as aulas, Claudice presta muita atenção e grava tudo o que os professores ensinam, e grava mesmo. Com um gravador de voz, a aplicada aluna guarda todas as palavras ditas em aula e utiliza os arquivos estocados em MP3 para estudar em casa. “Antes eu gravava tudo em fita K7, mas agora, com os gravadores em MP3, ficou bem mais fácil para arquivar e estudar”, garante.
Em relação às provas, Claudice informa que são todas realizadas no formato de prova oral, que a futura psicóloga diz lhe agradar devido a sua excelente memória. “A prova era sempre oral e eu respondia na lata”, relata. A dificuldade em casa é sempre quando algum objeto sai do lugar original. “É difícil de achar”.