Polícia

Traficante é condenado a 34 anos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Preso em flagrante no ano passado por tráfico de drogas, João Vítor de Souza Urias, 24 anos, foi condenado a 34 anos de prisão, nessa semana, em Bauru. Se permanecer todo esse tempo na penitenciária, só será um homem livre em 2044, próximo de completar 60 anos. A sentença, uma das maiores já aplicadas pelo crime na cidade, foi decretada pelo juiz Jaime Ferreira Menino. Além de Urias, outras oito pessoas foram julgadas, uma delas foi inocentada. O Jornal da Cidade apurou que essa foi uma das maiores penas já aplicadas a sentenciados por tráfico em Bauru.

No dia 12 de fevereiro de 2009, a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) prendeu uma das maiores quadrilhas de traficantes que agia na cidade. Depois de 40 dias de investigação, os policiais desmancharam um laboratório utilizado para o refino e manipulação de drogas. No local, um apartamento em um residencial no Jardim Olímpico, foram encontrados mais de 150 quilos de entorpecentes, explosivos, coletes à prova de balas, uma escopeta calibre 12 com mira a laser e equipamentos e produtos químicos para a elaboração de drogas. Seis pessoas foram presas em flagrante.

Além da droga, os policiais recuperaram uma carga de medicamentos roubada, avaliada em R$ 30 mil. O primeiro local vistoriado foi uma residência no Jardim Tangarás, onde também foi encontrado entorpecente. Foram presos Urias, apontado como o chefe do grupo, Fernando Henrique Graciano, 24 anos, Herod Dmitre Miedes, 20 anos, Rafaela Martins de Souza, 26 anos, Suelem Floriano, 25 anos, Éder Fábio de Lima, 32 anos e Valquíria Alves da Silva, 24 anos.

O julgamento do crime foi na semana passada e a sentença tornada pública ontem. De acordo com a ponderação do juiz, todos os condenados atuavam juntos no tráfico de drogas e cada um desempenhava uma função.

Urias foi condenado por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte de armas e de explosivos e receptação – os coletes à prova de balas encontrados em seu apartamento pertenciam à Dise de Botucatu, que foi alvo de explosão em novembro de 2008 -, totalizando uma pena de 34 anos. De acordo com o texto da sentença, Urias era chamado de “patrão”. Além disso, a quantidade de droga apreendida, armas e munições de grande poder de destruição também pesou na decisão do juiz.

Ainda de acordo com a sentença, Rafaela seria a “braço-direito” de Urias e guardava parte da droga. Suelem morava com Rafaela e também ajudava a colega na venda a entrega do entorpecente. Já Graciano é apontado como o responsável pela a contabilidade do grupo. Miedes seria o intermediário, negociando com pequenos traficantes. Já Valquíria, namorada de Urias, auxiliaria na captação de compradores e nas entregas das drogas. Silva, Miedes, Graciano, Rafaela, Valquíria e Suelen também foram condenadas pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico e sentenciados a uma pena de 10 anos e oito meses de prisão cada um.

Sandra Freitas, advogada de Urias, avaliou que a pena imposta ao seu cliente foi exagerada. Ela disse que entrará com recurso junto ao Tribunal de Justiça para diminuir a pena. “Em 18 anos de profissão, nunca vi uma pena tão alta”, destaca. “Ele é réu confesso e vamos recorrer para reduzir”, afirma.

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Em outro caso, mulheres pegas com cocaína são sentenciadas

No início de abril do ano passado, duas mulheres foram pegas com um quilo de maconha e 200 gramas de crack por equipes das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) da Polícia Militar. Elas foram surpreendidas quando uma entregava uma mala de viagem com o entorpecente para a outra, no Jardim Eugênia. Além delas, outras pessoas também foram detidas na ocasião.

Foram denunciados por tráfico e associação para o tráfico Rodrigo Aparecido de Souza, 26 anos, Eduardo Rodrigues da Silva, 29 anos, Jaqueline Mendes Banin, 25 anos, Jaquisseli Antônia Mendes Banin, 28 anos, e Viviane Silvério, 30 anos.

O grupo foi julgado anteontem na 2.ª Vara Criminal de Bauru. De acordo com a sentença do juiz Jaime Ferreira Menino, foi evidenciado a comercialização da droga e que Jaquisseli e Viviane vinham trazendo e distribuindo entorpecentes para Bauru. Também ficou comprovado no processo o envolvimento dos demais no crime.

Segundo a sentença, Jaquisseli que seria a líder do grupo, foi condenada a 16 anos de prisão. Viviane, que teria trazido o entorpecente da Capital para Bauru, foi condenada a 10 anos e oito meses de prisão. Jaqueline foi condenada a nove anos e quatro meses, assim como Silva e Souza.

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