Brasília - Em carta à imprensa, o novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), afirmou que não pretende fazer “mudanças bruscas” nem aceitar “ingerência política” e que assume o Executivo para evitar a intervenção federal. Presidente licenciado da Câmara Legislativa, Lima disse que pretende ser “um instrumento de transição democrática entre um governo eleito e outro governo eleito”.
“Não serei empecilho à volta da normalidade. Não criarei um único obstáculo para a condução democrática de nossa cidade. Não farei mudanças bruscas, e não aceitarei nenhuma ingerência política”, disse.
No texto, o novo governador interino afirmou ainda que decidiu assumir o comando da Capital federal para garantir normalidade, evitando a paralisia de obras, das ações sociais e para que as coisas não piorem ainda mais.
Lima é o terceiro governador do Distrito Federal em 12 dias. Ele assume após a renúncia de Paulo Octávio, anunciada na tarde de ontem. Paulo Octávio assumiu o cargo no dia 11 com a prisão e o afastamento de José Roberto Arruda (sem partido) determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O novo governador interino se reuniu com os deputado distritais para pedir apoio contra a intervenção federal defendida pela Procuradoria Geral da República. Pelos corredores da Câmara, os deputados ainda estão divididos quanto ao apoio a Lima. “O nosso apoio é ao respeito da linha sucessória”, disse o deputado Chico Leite (PT), relator dos pedidos de impeachment de Arruda.
Para o deputado Antonio Reguffe (PDT), o ideal seria que o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal, Níveo Gonçalves, assumisse o governo.
Perfil
Conhecido como ursinho entre os colegas, Lima nasceu em 1953, em Ceres (GO). Desde os 15 anos, mora na cidade de Gama. O distrital está no terceiro mandato e, em 2006, foi reeleito com 8.983 votos. Ele foi seminarista na década de 1960 e estudou música na Universidade de Brasília (UnB), segundo sua página na Internet. O distrital costuma contar que trabalha desde a adolescência e já vendeu picolés, foi frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista e cobrador de ônibus.