Com a prisão temporária decretada há aproximadamente um mês e meio, Roberto Carlos Fagundes, 42 anos, está foragido da Justiça. Ele era o companheiro de Fernanda Tripodi, 26 anos, desaparecida desde 17 de dezembro do ano passado. Fagundes é investigado pela Polícia Civil por suposto envolvimento no sumiço e eventual morte da mulher, com quem tem dois filhos. Um de 9 e outro de 4 anos.
As crianças, agora, estão sob os cuidados da avó materna, Antonia Maria de Oliveira Tripodi, 51 anos. Ela já não tem mais esperanças em encontrar a filha primogênita com vida. “Falo isso pela quantidade de sangue achado no carro dela”, comenta. Quase uma semana após Fernanda desaparecer, o veículo dela foi localizado estacionado próximo à Unidade Básica de Saúde do Núcleo Mary Dota com uma quantidade expressiva de sangue no porta-malas.
Na época, Roberto Carlos Fagundes informou aos policiais que a esposa havia saído de casa com o Gol 2006 da família. Declarou ainda que ela levava consigo mais de R$ 4 mil. O dinheiro seria depositado em dois bancos diferentes nas imediações da Praça Portugal. Em seguida, a mulher iria comprar roupas em uma loja na avenida Nuno de Assis. Ela, no entanto, não passou pelo estabelecimento, nem efetuou os depósitos.
Dinheiro
“Mas o dinheiro existiu mesmo”, garante Antonia, que é pensionista. Ela conta que, logo após Fernanda ter desaparecido, uma outra filha sua foi dormir na casa do casal para ajudar a cuidar das crianças e viu Fagundes contando grande montante em dinheiro. Ele, inclusive, teria assustado ao perceber que teria sido flagrado. A origem dos recursos, no entanto, é desconhecida. Em abril de 2009, Antonia fez um empréstimo consignado em conta no valor de R$ 3 mil para ajudar a filha e o companheiro dela.
Mensalmente, eles a pagavam. Fagundes teria lhe dito que, caso precisasse, ele liquidaria a dívida. Em dezembro, pouco antes de Fernanda desaparecer, Antonia comprou um imóvel e pediu ao genro que quitasse o débito, mas ele alegou não ter dinheiro para tanto, relembra Antonia. Atualmente, o débito lhe atrapalha por conta dos gastos com as duas crianças. “Sou eu quem cuido delas. Ontem mesmo estava vendo tarefa, corrigindo palavras. Mas todo mundo me ajuda”, diz.
Antonia teve seis filhos, sendo que três ainda moram com ela. A caçula tem 14 anos – é um pouco mais velha que o sobrinho de 9 anos. “Ele, principalmente, chora muito. Diz que está com a saudade da mãe. Deixo que fiquem com fotos dela. Do pai, nem perguntam”, comenta. Segundo a pensionista, sua filha e Fagundes brigavam muito. Em várias ocasiões a moça foi vista com hematomas pelo corpo e aos prantos, acrescenta Antonia.
“Ele sempre estava por perto. Não deixava que ela falasse nada. Uma vez estive na casa dela e, chorando, me disse que ela vivia um inferno. Mas ela gostava muito dele”, explicou a mãe. Segundo seus relatos, Fernanda conheceu Fagundes quando ele trabalhava numa funerária. Nos últimos tempos, o genro ganhava a vida como mototáxi. Logo após os primeiros encontros, ele se casou com outra mulher mas, na sequência, separou-se para morar com Fernanda.
Não demorou muito e a moça engravidou, relata a família. “Ela era uma pessoa boa, muito amorosa com os filhos, sempre batalhadora”, finaliza a mãe.
____________________
Família pede informações
Assim como a Polícia Civil, a família de Fernanda Tripodi quer informações sobre o paradeiro de Roberto Carlos Fagundes. Por essa razão, disponibilizou imagens dele e dela. O temor da mãe da vítima, Antonia Maria de Oliveira Tripodi, é que sem a confissão dele, os dois outros homens que foram presos temporariamente por suposto envolvimento com o caso sejam liberados e deixem a cadeia.
“Eu quero Justiça”, diz. Antonia conta que nunca teve muita simpatia pelo genro e que, desde o início do caso, uma de suas filhas suspeitava dele. Em virtude do desaparecimento de Fernanda, Antonia vive sob medicação e não consegue mais dormir à noite. “No começo foi pior, acordava e saía correndo de desespero”, conta.
De acordo com ela, a Polícia Civil pediu a prisão temporária dele logo após o depoimento da família. No dia anterior, Fagundes havia deixado com ela o filho mais novo. O mais velho, com uma irmã dele. “Eu acho que ela sabe onde ele está. E não é Bauru”, diz. Logo após assumir o cuidado dos dois netos, Antonia pediu autorização à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) para entrar na casa de Fernanda e pegar algumas roupas para as crianças.
Na oportunidade, percebeu que todas as roupas, perfumes e mercadorias de Fernanda (que também revendia cosméticos) haviam sido retirados da casa, além de eletrodomésticos como aspirador de pó, secador de cabelo e máquina de lavar roupa. “Com a divulgação da foto, espero que as pessoas nos procurem para prestar informações. É minha única esperança. Quero que ele pague pelo que fez”, conclui. Qualquer informação pode ser transmitida pelos números 197 ou (14) 9679-8630.