Regional

Sem-terra cobram melhorias em área de horto de Pederneiras

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - Integrantes do grupo de sem-terra Terra Nossa do Horto de Aimorés, localizado em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), reuniram-se ontem de manhã com o presidente da Câmara, Juarez Solana de Freitas (PV) para discutir o atendimento de demandas referentes às obras de melhoria no assentamento.

Entre as reivindicações apresentadas à prefeita Ivana Maria Bertolini Camarinha (PV) estão a construção de um posto de saúde na gleba 1, implantação de unidades escolares, distribuição de água, construção de ponte interligando as glebas 1 e 2 e disponibilização de coleta seletiva de lixo duas vezes ao mês, entre outras. Solana foi ao encontro como representante da prefeita.

O presidente da Câmara explica que o encaminhamento de alguns pedidos, que vão beneficiar cerca de 400 famílias, já estão bastante adiantados. “Na questão da água, nós fizemos uma intervenção junto ao Incra para que se resolva o problema definitivamente. Hoje, tem um caminhão-pipa da prefeitura levando água até o assentamento”, conta.

De acordo com Solana, há mais de um ano, o Incra pediu à prefeitura que comprasse uma mangueira para providenciar a distribuição de água no local. “Mas a especificação da mangueira que o Incra deu foi errada e a mangueira não serviu”, diz. Agora, segundo ele, o equipamento será utilizado na irrigação enquanto o órgão providencia uma nova mangueira para o assentamento.

Em relação às escolas, a previsão é mais otimista. “Uma já está pronta e vai ser inaugurada agora na gleba 2. Na gleba 1, ainda está em processo de reforma uma casa para abrigar a escola”, afirma. A coleta de lixo no assentamento também deverá ser iniciada em breve. “Nós temos um projeto de coleta seletiva em todo o município que deverá começar em dois meses”, adianta.

A construção da ponte sobre o rio Bauru interligando as glebas 1 e 2 do assentamento, uma reivindicação antiga do grupo, deverá começar assim que terminar o período de chuvas. Segundo Solana, o projeto para execução da obra deverá ser concluído no prazo de 20 dias pelo engenheiro contratado pela prefeitura. Em seguida, será aberto processo de licitação para que os serviços sejam iniciados.

A construção de um posto de saúde na gleba 1 para atender as famílias do grupo Terra Nossa também está próxima de se tornar realidade. A obra conta com recursos no valor de R$ 200 mil, disponibilizados pelo deputado federal Vicentinho (PT). “A prefeitura está aguardando uma posição da Caixa Econômica Federal”, explica o vereador.

O presidente da Câmara pontua que, em relação à implantação de sinal Wireless no assentamento para acesso à Internet no campo, a prefeitura já conta com recursos no valor de R$ 600 mil. Além da Internet gratuita para todo o município, incluindo o distrito de Santelmo e o assentamento, o projeto, em fase de licitação, prevê a implantação de sistema de monitoramento com câmeras de segurança e interligação entre órgãos públicos. “Tudo o que tem sido pedido para a prefeitura, ela vem atendendo na medida do possível”, ressalta.

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Pedidos negados

Entre as demandas do grupo Terra Nossa que obtiveram resposta negativa por parte de órgãos competentes estão a implantação de iluminação e telefonia pública no assentamento e instalação de pontos de correio nas áreas publicas do Horto de Aimorés para facilitar a entrega de correspondências no campo.

Segundo o presidente da Câmara, Juarez Solana de Freitas, apesar dos ofícios encaminhados aos Correios, à Telefônica e à CPFL, os órgãos informaram que a execução dos serviços é inviável.

O agricultor familiar assentado Celso Costa, que também é conselheiro do deputado federal Vicentinho na região de Bauru, afirma que, apesar das respostas negativas, a avaliação geral da reunião foi positiva. “Para a gente, foi importante ter uma autoridade como o presidente da Câmara dando uma atenção especial para os assentados”, diz.

“Porém, a gente lamenta o posicionamento da CPFL, Telefônica e empresa dos Correios. Na realidade, nós somos uma comunidade. São famílias que precisam de comunicação, que precisam de uma atenção, não digo nem em caráter especial porque nós somos cidadãos comuns tanto quanto os outros”, desabafa.

No dia 8 de março, o agricultor revela que os assentados vão se reunir com membros da prefeitura e Empresa Circular Cidade de Pederneiras (ECCP) para discutir a viabilidade de implantação de uma linha de transporte coletivo para atender o assentamento.

“Nós estamos reivindicando isso há tempo. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) alega que não tem condições de vir para cá. A ECCP também alega que está sem condições de vir para cá. Fica difícil para a gente. Nós vamos ficar abandonados no meio do mato. É uma necessidade do assentamento”, afirma.

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