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Dono de lotérica culpa funcionária por erro em aposta ‘premiada’

Folhapress
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Nova Hamburgo - Suspeito de estelionato, o proprietário da lotérica Esquina da Sorte, José Paulo Abend, 49 anos, admitiu ontem que três bolões para o concurso da Mega-Sena do último sábado foram vendidos, mas as apostas não foram registradas no sistema da Caixa Econômica Federal.

No depoimento à Polícia Civil de Novo Hamburgo (35 km de Porto Alegre), Abend apresentou uma versão segundo a qual uma funcionária teria se esquecido de registrar as apostas dos bolões comercializados. Em um dos bolões, vendido a 35 apostadores por R$ 11 cada cota, estava a combinação de números ganhadora do prêmio de R$ 53 milhões.

Como a aposta não foi registrada, a Caixa não reconhece o jogo. Acumulado, o prêmio de R$ 61 milhões seria sorteado ontem à noite. “Foi uma falha humana, o problema foi com essa guria responsável por passar jogos e ela simplesmente esqueceu”, afirmou, ao deixar a delegacia, onde depôs por 80 minutos.

A identidade da funcionária não foi divulgada pela polícia. Abend ficou com cinco cotas do bolão, não vendidas, e o pai da funcionária que ele afirma ter esquecido foi o comprador de uma delas. O dono da lotérica refuta a suspeita de estelionato e também se diz vítima do erro. “Estou me sentindo envergonhado e lesado. Sou uma das vítimas, poderia estar com o dinheiro (de parte do prêmio) e minha lotérica, famosa. (Agora) vou ser processado e minha lotérica está fechada”, declarou.

Conforme a versão do empresário, a lotérica comprava de uma gráfica cartelas e os volantes das apostas já previamente marcados.

O procedimento normal e que foi quebrado pelo “esquecimento”, de acordo com ele, consistia no lançamento das apostas no sistema de controle da Caixa antes de iniciar a venda de cada cartela do bolão. O empresário afirmou que foi a primeira vez que apostas deixaram de ser registradas.

O delegado Clóvis Nei da Silva, que chefia a investigação, vai apurar outros bolões feitos anteriormente aos de sábado. Ele quer checar se essas cotas vendidas pela Esquina da Sorte foram de fato registradas no sistema da Caixa.

Desde anteontem, 25 pessoas registraram queixa contra a casa lotérica e a Caixa - 20 deles já prestaram depoimento.

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