Havana - O presidente de Cuba, Raúl Castro, acusou ontem os Estados Unidos pela morte, na véspera, do prisioneiro político cubano Orlando Zapata Tamayo, após 85 dias de greve de fome.
Segundo o inédito comunicado do Ministério de Relações Exteriores, Castro “lamenta” a morte de Tamayo, um dos cerca de 200 presos políticos cubanos que Havana nega existirem.
O documento não explica como os EUA seriam culpados pela morte de Tamayo. Cuba costuma, contudo, chamar os presos políticos de “mercenários” a serviço de Washington.
A mãe de Tamayo culpou o governo Castro pela morte e pediu a libertação dos dissidentes, em vídeo divulgado no blog da opositora Yoani Sánchez.
“Acompanhei meu filho antes de morrer, voltei a vê-lo morto (...) Meu filho perdeu a vida, em um assassinato premeditado. Meu filho foi torturado durante todo o tempo em que esteve nas prisões cubanas, o que causou sofrimento para a família”, disse Reina Luisa Tamayo, no blog Generación Y, em uma gravação em áudio.
Zapata, operário negro de 42 anos, considerado “prisioneiro de consciência” pela Anistia Internacional, morreu devido às sequelas da greve de fome que iniciou em dezembro passado, em protesto contra as más condições carcerárias.
Ele foi o primeiro opositor a morrer na prisão em 40 anos, segundo fontes da oposição.
A morte de Zapata, que será sepultado em sua terra natal, Banes, 830 km a leste de Havana, motivou pedidos pela libertação dos presos políticos cubanos por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, assim como a condenação dos exilados cubanos na Espanha e em Miami.
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Polêmica atinge Lula
A polêmica atingiu também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou na noite de anteontem a Havana para encontro com Raul e Fidel Castro.
Assim como nas três visitas oficiais a Cuba, Lula não se reunirá com a oposição durante a viagem - o que atraiu críticas dos dissidentes.
Lula preferiu também manter silêncio sobre a morte de Tamayo.