Internacional

Malvinas: chanceler argentina pede mediação da ONU

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - O chanceler argentino, Jorge Taiana, pediu ontem que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, interceda a fim de que o Reino Unido cesse os “atos unilaterais” nas Malvinas (que os britânicos chamam Falkland) e aceite negociar a soberania das ilhas.

O chanceler acrescentou que também conversou com Ban sobre “a necessidade de cumprir com o que foi solicitado pelas diversas resoluções da Assembleia Geral (da ONU) e do comitê de descolonização com relação às negociações com a Argentina no conflito de soberania das ilhas”. “Pedimos para que o secretário-geral transmita ao Reino Unido a necessidade de não cometer mais atos unilaterais”, disse Taiana à imprensa após a reunião.

“A Argentina está disposta ao diálogo e o Reino Unido se nega a sentar-se para dialogar e cumprir o mandato das Nações Unidas”, afirmou. Anteontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ONU por não intervir e defender as pretensões argentinas de soberania sobre as Malvinas. “Será que é o fato de a Inglaterra participar como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e eles podem tudo e os outros não podem nada?”, indagou.

“Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas? Qual é a explicação política das Nações Unidas já não terem tomado uma decisão dizendo: Não é possível que a Argentina não seja dona das Malvinas e seja um país que está a 14 mil km de distância das Malvinas?’”, questionou Lula.

Nos últimos dias, a Argentina conquistou o apoio de virtualmente todos os países vizinhos na questão, nas diferentes cúpulas regionais ocorridas no México.

Também anteontem, o secretário de Estado do Reino Unido para Europa e América Latina, Chris Bryant, disse que o país negociou com a Argentina “durante anos, até 2007, quando eles (os argentinos) deixaram as negociações”. “Estamos dispostos a negociar, mas não vamos negociar a soberania sobre as ilhas, porque, como disseram todos meus antecessores e qualquer político britânico diria, não tenho nenhuma dúvida de nossa soberania sobre as Falkland”, afirmou Bryant.

Bryant defendeu o direito de autodeterminação e disse crer que “todos os países da América Latina podem decidir que tipo de governo querem”. “Também acredito nisso para o governo das Falkland, que devem poder decidir por si próprios se querem ser britânicos ou qualquer outra coisa, e eu sei que eles querem continuar sendo britânicos”, acrescentou.

Comentários

Comentários