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Bauru obtém menor taxa de mortalidade infantil em 5 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Embora grande parte das dificuldades na área de saúde ainda não tenham sido superadas em Bauru, a cidade parece ter ganho um motivo para comemorar. Em 2009, o índice de mortalidade infantil na cidade atingiu seu menor índice em cinco anos e chegou a 10,7 óbitos de crianças menores de 1 ano por mil nascidas vivas. A taxa vem diminuindo desde de 2005, quando foram registrados 13,1 óbitos por mil.

Os dados integram o mais recente levantamento do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, com base em informações da Fundação Seade. Na avaliação da diretora do DSC, Heloísa Lombardi, o aprimoramento da assistência ao parto e à gestante, a ampliação do acesso ao pré-natal, a expansão do saneamento básico e a vacinação em massa de crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são os principais motivos para a queda na taxa de mortalidade infantil.

O índice é considerado o principal indicador de saúde pública, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os níveis considerados ideais, mais comumente registrados em países desenvolvidos, estão abaixo da faixa de 10 óbitos por mil.

Na queda da mortalidade infantil em Bauru, Heloísa destaca a importância que o atendimento à gestante ganhou dentro do serviço de assistência à saúde da mulher. “A cobertura do programa de pré-natal é bastante alta no município e vem se aprimorando a cada ano. Através dele, é possível realizar exames para detectar precocemente doenças infecto-contagiosas, detectar uma possível gestação de risco e acompanhar todo o desenvolvimento do bebê”, observa.

Junto com a ampliação do programa de vacinação nos últimos anos, outro fator importante enfatizado por Heloísa na redução dos índices é a implementação de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que permitem à gestante oferecer, de maneira mais ampla, melhores condições de saúde para o recém-nascido.

“Sabemos que a condição social e econômica das famílias representa uma diferença no desenvolvimento das crianças até 1 ano de vida. Esse é o momento em que ela está mais vulnerável e precisa de cuidados bastante específicos além da prevenção através da imunização”, frisa.

Mortes evitáveis

Mesmo com maior acesso aos meios de higiene e às informações sobre os procedimentos adequados a serem adotados durante e após a gestação, a diretora do DSC explica que a grande maioria das mortes de crianças com até 1 ano de idade, em Bauru, ainda ocorrem por causas consideradas evitáveis.

“Grande parte dos bebês que ainda morrem é afetada por pneumonia, septicemia, infecções de maneira geral e baixo peso, entre outras doenças que poderiam ser prevenidas com cuidados básicos”, acrescenta.

Por outro lado, na avaliação de Heloísa, um dado importante para a cidade é o registro de quedas sucessivas no número de mortes durante o período pós-neonatal (acima do 28º dia de vida até 1 ano de idade). “Na cidade, o maior responsável pela mortalidade infantil são os óbitos ocorridos no período neonatal (até 28º dia após o nascimento), principalmente nos primeiros sete dias de vida”, frisa.

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Primeiro Mundo

Heloísa Lombardi, coordenadora do DSC, explica que a concentração dos registros de morte nos dias iniciais de vida é característica dos países de Primeiro Mundo, já que os óbitos ocorridos no período pós-neonatal são ainda mais influenciados por causas externas, como falta de saneamento básico, educação e acesso aos serviços de saúde. “Quando um município começa a ter uma qualidade melhor nesses aspectos, esse coeficiente pós-neonatal tende a diminuir”, resume.

Isso porque, segundo lembra Heloísa, os problemas originados no período neonatal também se vinculam às malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas, disfunções que dependem do desenvolvimento tecnológico da medicina. “São doenças não-evitáveis, que não estão diretamente relacionadas à qualidade da assistência básica prestada pelo município”, pontua.

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