Em 1808, com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, formou-se o embrião daquilo que seria a máquina administrativa estatal. São, portanto, mais de duzentos anos de funcionalismo público no País. De lá para cá, o Brasil tornou-se independente, virou Império e depois República. E lá estavam os servidores.
Governantes passaram e os funcionários permaneceram. Tanto na ditadura quanto na democracia, a máquina pública jamais deixou de funcionar. Em Bauru, essa engrenagem contou com peças que hoje, além do trabalho desempenhado, ajudam a contar a história do município. Seja no levantamento do cadastro de imóveis públicos, no setor de topografia, na auditoria fiscal, na confecção de projetos ou ainda na diretoria de expediente, com a montagem do Diário Oficial, eles conhecem Bauru como a palma da mão.
Em anos de trabalho, a turma da “velha guarda” da prefeitura passou por várias administrações – respectivamente, Irineu Bastos, Nuno de Assis, Alcides Franciscato, Edmundo Coube, Osvaldo Sbeghen, Édison Bastos Gasparini, Tuga Angerami, Antônio Izzo Filho, Antônio Tidei de Lima, Antônio Izzo Filho, Nilson Costa, Antônio Izzo Filho, Nilson Costa, Dudu Ranieri, Nilson Costa, Tuga Angerami e, a partir de 2009, Rodrigo Agostinho.
Preferência? Experientes, eles apontam a mais sensata: trabalhar para melhorar a cidade. “Tenho 47 anos de prefeitura. Já aposentei e estou trabalhando há 24 anos novamente. É pelo prazer. E toda vez que troca de prefeito, eu coloco meu cargo à disposição, vou para casa e eles mandam me chamar para conversar. A primeira coisa que você tem é gostar da cidade”, afirma o assessor técnico da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), Adelmo Bertussi, 80 anos.
Ao longo das décadas, eles se adaptaram. Foram da velha máquina de escrever Olivetti e da trena aos modernos computadores. “Essa ideia que é moleza não é não. Eu nunca peguei. Na nossa época, a gente esticava a trena. Hoje, o aparelho mede sem sair do lugar”, diz o topógrafo José Teixeira da Luz, que neste domingo completa 54 anos de idade e exatamente na última sexta-feira assinou seu pedido de aposentadoria. Toda vez que lembra de sua trajetória se emociona. Chora, segundo ele, de orgulho. Um misto de saudade dos amigos que fez nos 41 anos e três meses de trabalho, que faz questão de frisar.
“Comecei no projeto Reco-Reco, graças ao ex-prefeito Alcides Franciscato. A gente conseguiu ser homem. Tinha 13 anos. Sem pai, tinha que trabalhar, não tinha outro jeito. Em 1972, ele registrou a gente, e fui trabalhar na Secretaria Municipal de Obras. Fiz de tudo, serviço braçal, peão, catava cachorro à noite. Fui estudando e me formei em topografia”, recordou.
Hoje se orgulha de ter demarcado com a topografia avenidas importantes de Bauru como a Nuno de Assis, Nações Unidas e Getúlio Vargas. “Mas a gente é um grupo. Enquanto eu assinava os projetos, o Zé carregava a pá. O negócio é trabalhar em equipe.” Mas nem só de trabalho o servidor viverá. Teixeira ainda se divide entre a bateria da escola de samba Acadêmicos do Cartola e uma equipe de futebol amador, da qual é técnico. Em 2009, foi campeão do Torneio Municipal do Servidor Público, como comandante da equipe da Usina de Asfalto da prefeitura.
Assim como o colega, o técnico administrativo Mauro Afonso, 56 anos, entrou para a administração municipal ainda jovem. “Tinha uns 16 anos. Vim pela Legião Mirim.” No entanto, não esperava ficar mais que dois anos. “Mas, fui ficando e vou me aposentar no ano que vem. Entrei na diretoria de expediente. Não tenho o que reclamar. A esposa conheci aqui na prefeitura”, afirma. Afonso é casado há 18 anos com Jurema, com quem tem um filho.
O mais antigo
O servidor mais antigo concursado da Prefeitura de Bauru é Waldemar Crivelaro Júnior, 57 anos. Nascido em Bauru, o auditor fiscal se orgulha do que ele chama de vocação familiar para o trabalho público. “Minha irmã Neusa Maria trabalhou na Câmara Municipal, meu pai também. Então acho que era vocação. Sempre trabalhei na secretaria de Finanças. Quando entrei tinha 18 anos.. Fui chefe, diretor de divisão, diretor de departamento. Fiz concurso para auditor fiscal, há 15 anos. Vou me aposentar em julho. São 39 anos de serviço. Sou o funcionário mais antigo em atividade, concursado. Dá orgulho, a gente só faz amigos”, relatou.
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Data do servidor
Em 1943, o então presidente Getúlio Vargas instituiu o 28 de outubro como o Dia do Funcionário Público, através do decreto 5.936. Em 1990, com o surgimento do novo Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais - Lei 8.112, de 11.12.1990 - a denominação de funcionário foi substituída pela de servidor. Este cargo é, via de regra, preenchido por meio de concurso público.
A partir da Constituição de 1988, funcionários que tinham pelo menos cinco anos de atuação na administração pública tiveram a oportunidade de efetivação para as carreiras originais que exerciam. Depois disso, o preenchimento de funções operacionais e técnicas, de gestão, passaram a ser por concurso. Apenas os cargos em comissão, de confiança, podem ser exercidos por livre nomeação. Funções de chefia e diretoria, que integram a estrutura da máquina pública, também devem ser preenchidas por servidores de carreira.