Em 1994, Francisco Evangelista de Araújo, 62 anos, aposentou-se da administração municipal. Depois de anos de préstimos à Prefeitura de Bauru, resolveu reunir um grupo de amigos e ir pescar. No entanto, na volta, recebeu um recado de sua mulher: era para entrar em contato com os antigos patrões. “Pensei que era alguma bucha. Aí falaram que eu precisava voltar, que meu companheiro de trabalho, o Ariovaldo, faleceu, e voltei. Sempre trabalhei no cadastro, que hoje é a Seplan. Antigamente chamava-se Cadastro Imobiliário Fiscal, o fisco.”
Nascido na Bahia, Chico, como é chamado pelos colegas de trabalho, veio parar em terras bauruenses por meio da Central do Brasil. “Meu pai trabalhava lá e fomos morar em Iacanga.”
Ávido conhecedor dos imóveis de Bauru, Chico está cadastrando tudo no computador. Mas o medo não é a memória. É a falta que as pessoas vão fazer se um dia tiver que sair do emprego. “Ah, eu gosto muito daqui. Aqui tem uma família. O dia que tiver que ir embora eu vou sentir. Vai chegar uma hora que a gente vai ter que ir embora. Aprendi muita coisa aqui, é um serviço que eu gosto. A gente está fazendo o levantamento de todos os imóveis da prefeitura.”
Tímido, Chico lembra que tinha muito medo de falar com os prefeitos quando era chamado. Eu tinha um medo danado. Fui indo, fui perdendo o medo, e conversando. Mas quando o prefeito chamava, ia com medo. Hoje tem tecnologia. Antigamente, a gente trabalhava no cadastro, era tudo manual. Hoje tudo é eletrônico. Não sei tudo, porque cada dia que a gente está aqui aparece uma coisa diferente. Vou sentir muita saudade.”