Com pouco mais de 4.300 habitantes, Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) se destaca quando o assunto é ensino técnico. Alunos e professores da Escola Técnica Estadual (Etec) Astor de Mattos Carvalho desenvolveram dois projetos pioneiros: o Sistema de Monitoriamento de Desastres Naturais (Sismadem) e o protótipo de bioenergia. Iniciativas possíveis graças a credibilidade da instituição que possibilitou grandes parcerias como com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Instrumentação, com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a multinacional Firestone Building Products Latin Americana & Caribbean (EUA).
Além disso, na última semana a instituição foi sede de uma reunião entre diretores e coordenadores de 37 Etecs Agrotécnicas do Centro Paula Souza para discutir o projeto para mudanças no ensino agrotécnico no Estado. Durante o evento foi lançado o projeto “Ensino Técnico Agrícola no Estado de São Paulo: estudo de políticas e ações para sua re-estruturação”, que visa estudos para o desenvolvimento do ensino técnico agropecuário.
Os estudos do projeto serão coordenados pelo professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mário Otavio Batalha, que conta com a participação dos doutores Marinilzes Mello, da Universidade de Campinas, e de José Yalente Perosa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O objetivo da iniciativa é fazer um diagnóstico das demandas (curso e perfil dos profissionais) e dos problemas locais das regiões onde as Etecs estão inseridas. “Hoje, o setor agropecuário brasileiro possui novas máquinas que requerem qualificação para serem operadas”, conta Lourenço Magnoni Júnior. “O Brasil está 20 anos atrás de outros países chamados emergentes em relação a qualificação profissional em ensino técnico e tecnológico. O México, por exemplo, qualifica de 30% a 35% da mão de obra em ensino técnico, o Brasil não atinge 15%. Não temos qualificação e isso faz com que nossos produtos não consigam em determinados ramos ser competitivo no mercado internacional. Nossa proposta é traçar um perfil com o mercado empregado e a partir daí reestruturar todas as escolas”, complementa.
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Estrutura
Entre 2007 e 2009, o Governo do Estado repassou à Etec Astor de Mattos Carvalho R$ 1,1 milhão para investimentos em obras, mobiliário e equipamentos. Para os seis primeiros meses do ano, a instituição oferece 70 vagas para o ensino médio e 70 vagas divididas em dois cursos técnicos: agropecuária e informática. Além disso, a escola também oferece os cursos açúcar e álcool e informática para Internet. Atualmente, a instituição possui 431 alunos.