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Monitoria e financiamentos são opções para pagar faculdade

Depois da maratona de provas de vestibular, é hora de os alunos que optaram por cursar uma faculdade particular fazerem as contas para ver se o valor da mensalidade cabe no bolso. Além do Prouni, universidades particulares oferecem aos seus alunos outras possibilidades de bolsa de estudos, parcial ou integral. Monitores, por exemplo, podem obter bolsa de estudos na Universidade Paulista (Unip) e na Belas Artes a partir do segundo e terceiro anos do curso, respectivamente. Eles atuam nos laboratórios das instituições.

Outra modalidade é a de iniciação científica, em que o aluno desenvolve e acompanha pesquisas na universidade. Além de Unip e Belas Artes, a Universidade Nove de Julho (Uninove) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) estão entre as que adotam esse modelo.

Os estudantes podem ainda obter bolsa ou descontos parciais nas mensalidades por meio do vínculo de instituições com entidades de classe. Graças a um acordo com a Associação de Pais e Alunos do Estado de São Paulo (Apaesp), a Unip, por exemplo, oferece o benefício a alunos que estejam em “situação financeira difícil’’.

Funcionários também costumam ter direito a bolsa em universidades. É o caso de Maria Eunice da Silva e Silva, 43, que trabalha na central de atendimento do Mackenzie. “Sou de família bem humilde. Casei-me cedo, com 16 anos, e levei tempo para terminar o supletivo. Só entrei na faculdade mais tarde’’, afirma.

Maria Eunice diz que, se não fosse o benefício, não conseguiria fazer faculdade. “Jamais eu teria chance de estudar’’, afirma. A mensalidade do curso é de R$ 1.194,00. Ela cursa o quarto semestre de psicologia na universidade. Entrou em 2006, trancou a matrícula duas vezes, por problemas de doença na família, e retomou agora.

O Mackenzie oferece bolsas também para alunos vinculados às associações atléticas das unidades. Segundo a universidade, há cerca de 700 alunos beneficiados com descontos de 25% a 100% na mensalidade.

Outras opções

Nos casos em que a ginástica orçamentária parece não ser suficiente, uma dica é recorrer a um dos financiamentos estudantis disponíveis no mercado. Hoje, há diversos tipos, entre os oferecidos pelos bancos, pelas próprias instituições e pelo governo.

No Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), o governo federal financia parcial ou integralmente a mensalidade no período que o aluno julgar necessário e ele começa a quitar a dívida 18 meses após terminar a faculdade. Até lá, ele se compromete a pagar trimestralmente os juros do financiamento, limitados à parcela máxima de R$ 50,00.

Para saldar a dívida, o aluno tem até três vezes o tempo que usou o Fies. Assim, um estudante que financie seus quatro anos de graduação terá 12 anos, depois da carência de um ano e meio, para quitar seu débito.

Após a reformulação do programa, divulgada no início deste ano, a taxa de juros passou a ser de 3,5% ao ano. Antes, podia ser de 3,5% ou 6,5%, dependendo da graduação. Até 2007, esse valor era de 9% anuais.

Mas, antes de tomar qualquer decisão, o advogado Sérgio Tannuri, especializado em direito do consumidor, sugere que o aluno tenha bom senso e peça ajuda aos pais para analisar minuciosamente propostas e condições de pagamento. “O estudante tem de ter a noção de que está assumindo uma dívida futura para quando se formar’’, alerta o especialista.

Tannuri ainda lembra que em algumas carreiras, como odontologia, o aluno pode ter gastos iniciais elevados na compra de equipamentos ou na montagem de um consultório.

No caso de Rilton Dantas, 24, a ajuda do Fies foi bem-vinda. Com o financiamento, ele pôde fazer o curso de tecnologia em redes de computadores. Agora, está no último semestre e planeja começar a quitar sua dívida em um ano. “Os juros do Fies são menores do que os dos bancos’’, afirma Dantas.

Para participar do Fies, o aluno precisa, primeiro, se informar se sua faculdade tem convênio com o Ministério da Educação. Se tiver, o estudante deve se inscrever no programa e apresentar a documentação exigida ao Banco do Brasil ou à Caixa Econômica Federal.

O período de inscrição deste ano ainda não foi definido, mas o Ministério da Educação (MEC) espera que seja mais ou menos na mesma época que no ano passado, no fim de março.

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