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Lombadas, as mais pedidas nas ruas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Passados 13 anos da vigência do atual Código Brasileiro de Trânsito (CBT), Bauru ainda tem cerca de 500 lombadas irregulares. Elas representam 25% dos dois mil obstáculos instalados na cidade. Mais surpreendente que os números é a simpatia pelas ondulações demonstrada pelos moradores da via onde são instaladas. Adequadas ou não, a maioria prefere contar com elas. Neste caso, são poucas as pessoas que as criticam. Já os motoristas divergem sobre os obstáculos e os refutam especialmente quando resultam em prejuízo justamente por estarem fora da resolução 39/98 – responsável por padronizá-las.

A afinidade de moradores de Bauru para com as ondulações não só foi constatada pela reportagem nas ruas como também reflete nos números da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) - autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via. Por mês, a empresa recebe, em média, 30 pedidos de instalação de obstáculos. Em contrapartida, tem mês que nenhum pedido de retirada de ondulação chega a ser protocolado. Neste caso, a média estimada é de um a cada 30 dias, no máximo.

A equação final pode ser frustrante para quem aguarda a autorização para a instalação de um obstáculo na rua de casa: no máximo 5% do total de pedidos são deferidos, informa Aníbal dos Santos Ramalho, gerente de planejamento e operações viárias da Emdurb. Ele ressalta que, seja qual for o pedido, ele depende de estudos de engenharia de tráfego. Na opinião de Aníbal, as lombadas podem até ajudar a conter quem desrespeita a velocidade máxima da via, mas, em contrapartida, pune o bom motorista que acata as sinalizações.

Prejuízo

Coordenadora da Casa da Sopa, Rose Lopes, é uma motorista que garante ser atenta e obediente às informações de cada placa. No entanto, sentiu-se lesada por conta das lombadas irregulares. Ela garante ter trocado suspensão e amortecedores de seu veículo por conta delas. “Mas como vou provar? A quem vou recorrer?”, questiona. Neste caso, ela teria de acionar o Executivo judicialmente, confirmou a assessoria de imprensa do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O órgão de comunicação fez a afirmação com base no próprio Código de Trânsito Brasileiro, informou.

Apesar do prejuízo, Rose ressalta interesse na manutenção dos obstáculos, mas acredita que eles devem ser adequados conforme preconiza a resolução 39/98. “Precisam ser suaves. O carro não pode sofrer nenhuma consequência”, afirma. O posicionamento dela coincide com a orientação prestada ao JC pelo engenheiro mecânico especialista em carros, Marcos Serra Negra Camerini. Porém, num obstáculo situado na rua Equador, no Jardim Terra Branca, o pedreiro José Carlos da Silva constatou diversos veículos ‘raspando’ o protetor de cárter na ondulação que tem mais de 15 anos de existência.

Ainda assim, ela é aprovada pela dona de casa Irene dos Santos Albanez, que mora há 30 anos na via. De acordo com ela, antes da lombada, o volume de acidentes na esquina era muito grande. Numa ocasião, um veículo derrubou uma parede da residência dela e entrou na garagem. O desrespeito é tanto que, mesmo com o obstáculo, tem quem abuse na velocidade, como o próprio JC constatou.

Situação semelhante foi verificada pela reportagem na quadra 2 da rua dos Heliótropos, onde existe uma ondulação, embora a via seja muito íngreme. Por conta dele, o tráfego para quem sobe a rua pode ficar bem difícil em virtude do trânsito de veículos grandes. “Se não tiver lombada, isso aqui vira uma pista de corrida. Melhor com do que sem”, diz a costureira Maria Aparecida Carmenato, moradora da mesma quadra.

Mas a opinião dela diverge da posição do vizinho Wagner Roberto Silva, que vive num imóvel bem em frente ao obstáculo. De acordo com ele, seu sossego é tolhido pelos roncos dos veículos e pelas frenagens. Segundo Aníbal dos Santos Ramalho, esse tipo de queixa é uma das principais responsáveis pelos pedidos de retirada de lombadas.

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