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Passeio marca paixão antiga por Opalas

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

O clube “Opalas de Bauru” reuniu dezenas de amantes do automóvel para um passeio, ontem de manhã, com saída da Universidade de São Paulo (USP) e destino na Praça do Turista, em Piratininga.

A paixão pelo Opala foi unindo amigos e o grupo surgiu em 2007. “É um carro esportivo e clássico. Sou apaixonado por ele desde criança. Então, os amigos foram se encontrando e ficamos cada vez mais unidos por esse algo em comum”, conta o empresário Maurílio Guerini.

O clube teve início com apenas três veículos e, hoje, mais de 60 Opalas integram o clube que percorre toda a região em busca de aventura e pelo prazer de dirigir. “Eu mesmo já gastei mais de R$ 15 mil com meu carro, e olha que ainda falta bastante coisa para ficar como eu quero. Há cinco anos estou transformando minha máquina a meu gosto”, relata o recepcionista e um dos fundadores do grupo, José Augusto Navarro.

José Augusto diz que o que já gastou com seu automóvel é pouco perto do que muitos investem por aí. “Sei de caras que já gastaram mais de R$ 40 mil em seus Opalas”. Para ele, não há preço que pague essa paixão.

Se quem viaja tem história, com o pessoal do Opalas de Bauru não poderia ser diferente. O mecânico Douglas Alves Ruzon tem uma paixão recente pelo carro adquirida por influência dos amigos. Mas, apesar de recente, o gosto pelo veículo já lhe rendeu muitas histórias inesquecíveis.

“Algumas delas não dá para esquecer. No Dia das Mães do ano de 2007, o grupo fez um passeio de Bauru a Boracéia. Naquele dia, tudo parecia dar errado, mas hoje é engraçado lembrar. Para começar, logo que pegamos a estrada, um dos nossos parceiros teve problemas com o carburador. Conseguimos arrumar o problema e seguimos. Chegamos até Boracéia, mas o encontro acabou cedo demais, então, tivemos a ideia de ir para Igaraçu do Tietê”, lembra Douglas.

Porém, os obstáculos da aventura do grupo estavam apenas começando. Douglas lembra que assim que saíram de Boracéia, outro carro teve problema. À tarde, já de partida para Bauru, a polícia parou um de seus amigos e pediu os documentos do carro que, para seu desespero, havia sido trocado, por engano, pelo documento de sua moto.

E agora? “Meu amigo recebeu uma multa e partimos. Mas, começou a chover e esse mesmo amigo sofreu uma batida ao passar em uma lombada. A polícia queria levar seu carro para a garagem de qualquer jeito. Conseguimos escapar e voltamos para Bauru. Mas não pensem que ficou tudo bem. Na viagem de volta, meu carro parou umas 50 vezes, um carro de outro companheiro parou e um caminhão vinha sem conseguir frear em sua direção, por sorte ele conseguir fazer o carro pegar a tempo. Para completar a noite, um outro aventureiro, que também teve problemas com seu carro, caiu e se esfolou todo ao empurrar seu veículo. São histórias de companheirismo que nunca esqueceremos”, finaliza.

Herança

Para o professor Edson Luiz Brito, Opala é uma herança de família. O seu carro é o mais antigo do clube, fabricado em 1969, e herdado do pai falecido. “Reformei e cuido dele com muito carinho. Meus filhos também gostam, espero que, assim como eu, herdem o que foi de meu pai”.

O professor confessa que, às vezes, passa o dia todo encerando e limpando sua máquina, que não é a única: “Tenho dois Opalas. Minha família já teve cinco”, lembra.

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Curiosidades históricas

Fabricado durante mais de duas décadas, o Chevrolet Opala tornou-se símbolo de longevidade no mercado brasileiro. Em sua longa trajetória, o primeiro modelo de passeio da GMB foi sendo atualizado, sem perder as características originais. Conquistou também, nesse período, um público cativo e bastante fiel.

Desde o início da década de 60, apesar do ambiente pouco estimulante a novos investimentos, a General Motors do Brasil vinha estudando a possibilidade de produzir o carro de passageiros, aproveitando a experiência obtida com os utilitários. Assim, nasceu o projeto número 6761, com base no Opel Record “C”, produzido na Alemanha, que passou às pranchetas em 1966.

Ao longo de quase três anos de trabalho, uma grande equipe de projetistas, engenheiros e técnicos definiu o protótipo, dando-lhe forma e estilo. Depois de testes exaustivos de desempenho dos componentes e de resistência estrutural do conjunto - que apresentava a originalidade do chassis de tipo monobloco em vez de longarinas -, o automóvel foi oficialmente apresentado ao público em 19 de novembro de 1968.

O primeiro veículo de passeio projetado e construído pela GMB, o Chevrolet Opala, era um automóvel de porte médio destinado às classes A e B, adequado às condições gerais de pavimentação, clima e topografia encontradas no país.

O Opala foi lançado no Salão do Automóvel em 19 de novembro de 1968 e foi produzido até 16 de abril de 1992, sendo que nesses 23 anos foram produzidas exatas e precisas 1.000.000 de unidades.

No dia 16 de abril de 1992, uma quinta-feira da Semana Santa, uma solenidade foi realizada na fábrica de São Caetano do Sul, em São Paulo. Por volta das 14 horas, deixou a linha de montagem o Opala de número um milhão. Na ocasião, porém, o modelo também despediu-se de seu público, para sempre.

Foi o último exemplar produzido, representando o fim de uma era. Aperfeiçoado em regulares intervalos de tempo, o Opala refletiu boa parte do desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil.

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