Chegou para revolucionar. Aterrorizou até o mais confiante dos estudantes. Ninguém poderia prever como seria. Uns dizem que já deveria ter vindo há muito tempo, e outros insistem em ser uma besteira. Trata-se do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em seu novo modelo, o Enem pretende extrair mais da capacidade de leitura, compreensão e relação interdisciplinar de cada estudante do ensino médio brasileiro. A principal idéia é acabar com o errado ato de decorar o conteúdo escolar e começar a valorizar pessoas capazes de realmente aprender e levar a diante aquilo que lhes é passado em suas instituições de ensino.
O objetivo deste novo Enem é realmente admirável e de extrema importância, porém não basta para tornar mais seletivo o ingresso nas grandes universidades, é preciso combater as causas principais, que são as escolas brasileiras. Não adianta querer cobrar análises e compreensões de conteúdos interdisciplinares se nossas escolas insistem no ensino baseado na memória e não na inteligência de fato.
Um dos fatores mais preocupantes sobre o atual método de ensino é que, além de formar profissionais despreparados e de baixo nível, os estudantes de hoje serão os futuros cidadãos, ou seja, os futuros eleitores os quais decidirão o destino político do país.
Quando se fala em política e em memória, logo nos vem à cabeça aquele velho estereótipo de que o brasileiro é o povo sem memória eleitoral, e isso é devido ao fato de que muitos dos atuais eleitores tiveram sua educação no modelo “velho Enem”, ou seja, decoraram o conteúdo para utilizá-lo uma única vez com eficiência e depois eliminaram-no para sempre de suas vidas.
O novo Exame Nacional oferece, portanto, uma nova chance de modelar o país para um futuro mais promissor, com profissionais íntegros, globalizados, multifuncionais e capazes. Além disso, como nós do país do futebol não desistimos nunca, é possível que a política brasileira venha a melhorar também, se o povo começar a usar mais a inteligência ao invés da memória, e parar de insistir em rever os mesmos corruptos desembarcarem em Brasília novamente rumo ao Palácio do Planalto.
João Paulo Belafronte Fialho – estudante