Regional

Prefeito diz que afastamento é ‘injustiça’ e vice deve assumir

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Bariri – O prefeito de Bariri (56 quilômetros de Bauru), Benedito Senafonde Mazotti (PSDB), reclamou ontem ao Jornal da Cidade que o afastamento dele do cargo é “injusto” porque está sendo condenado sem direito a defesa. Ele aguarda intimação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ) para deixar o cargo nas próximas horas e será substituído pelo vice-prefeito Rubens Pereira do Santos (PTB) durante de 90 dias.

A Justiça cassou anteontem a liminar que mantinha nas suas funções o prefeito, o presidente da Câmara, Clóvis Bueno (DEM), e o diretor de Saúde, Claudocir Maccorin, que solicitou exoneração do cargo no último dia 11 alegando problemas de saúde.

Os três, juntamente com a também ex-diretora de Saúde Rosa Maria Canal são réus em ação civil pública por improbidade administrativa devido o desvio de medicamentos do posto de saúde da cidade durante a campanha eleitoral de 2008. Há ainda inquérito policial que apura crime de peculato. O prefeito diz que aguarda a notificação para que o vice possa assumir. Ele disse que seu advogado vai tentar reduzir o prazo do afastamento com algum tipo de recurso que vai contestar a sentença. “Esse novo afastamento, praticamente, é a continuação do mesmo pedido (referente a decisão de maio do ano passado). É uma ação civil pública movida pelo Ministério Público local e, evidentemente, na minha posição de réu, considero injusto e descabido, porque eu não fui nem ouvido ainda na justiça”, reclama.

Segundo o prefeito, as audiências para dar a sua versão aos fatos estavam previstas para ocorrer em junho. “Eu estou sendo condenado, por duas vezes, sem o direito de defesa”, reclama. Mazotti demitiu uma funcionária de um cargo de comissão no Posto de Saúde, considerada principal testemunha dos desvios de medicamento.

Para o MP, o ato dele teria sido perseguição e uma forma de intimidação durante a instrução processual.

A reportagem tentou entrar em contato com o presidente da Câmara, Clóvis Bueno, e o ex-diretor de saúde de Bariri, Claudocir Maccorin, mas eles não foram localizados para comentar a decisão. Bueno também terá que deixar o cargo e será substituído por Sidnei Dourival Fanti (PTB).

As investigações sobre o caso tiveram início em fevereiro do ano passado, quando a Polícia Civil apreendeu diversas cartelas de comprimidos, além de cerca de 60 caixas de medicamentos diversos, grampeados com receituários em nome de várias pessoas, na garagem da oficina mecânica do presidente do Legislativo.

Durante as apurações, o MP encontrou indícios fortes que envolvem o prefeito, o vereador e o diretor de Saúde no desvio dos medicamentos.

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