Brasília - Protagonista do vídeo que ficou conhecido como oração da propina, o deputado distrital Júnior Brunelli (PSC) renunciou ontem ao mandato para evitar responder ao processo por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
A carta de renúncia de Brunelli foi lida na Câmara pela deputada Jaqueline Roriz (PMN). Ele aparece em dois vídeos gravados por Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção que envolve o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido).
No primeiro, recebe dinheiro das mãos de Durval. No outro, ao lado de Durval e do ex-presidente da Câmara do DF, Leonardo Prudente (sem partido), Brunelli faz uma oração em agradecimento a suposta propina.
A interlocutores, Brunelli disse que ainda não descartou tentar se reeleger nas eleições de outubro. Sem responder ao processo de falta de decoro, ele avalia que deixa o foco da crise e pode se restabelecer politicamente para enfrentar as urnas novamente.
A saída de Brunelli da Câmara é a segunda motivada pelas denúncias do esquema de arrecadação e pagamento de propina. Na sexta-feira, Prudente, flagrado colocando dinheiro de suposta propina no terno e nas meias, também renunciou para evitar a perda dos direitos políticos. A renúncia dele foi oficializada na manhã de ontem pela Câmara.
Além de Brunelli e Prudente, a Câmara abriu processo por quebra de decoro parlamentar contra a deputada Eurides Britto (PMDB). A deputada afirma que vai enfrentar o processo que pode levar a cassação.
Em nota publicada em seu blog, a deputada afirmou que o dinheiro que aparece nas imagens colocando em sua bolsa era do ex-governador Joaquim Roriz (PSC). A reportagem não localizou o ex-governador para comentar as declarações de Eurides.
No blog, a deputada explica que o vídeo foi gravado durante a campanha eleitoral de 2006, antes de ela assumir o mandato na Câmara do DF. “Não quero me justificar com isso. O que quero dizer é não houve quebra de decoro parlamentar, porque era antes desse mandato”, escreveu Eurides em seu blog, no qual reproduziu trechos de uma entrevista da parlamentar a um jornal local.
Eurides conta que sempre teve uma “ligação muito estreita, muito amiga” com Roriz, que segundo ela autorizou a realização de reuniões para depois arcar com as despesas. Eurides disse que foram cerca de 12 reuniões entre maio e junho de 2006. Porém, “de certo por esquecimento”, o ex-governador não pagou as despesas na sequência dos encontros.
Ao todo, oito distritais são suspeitos de participarem do esquema de corrupção. A Câmara abriu processo contra os três flagrados em vídeos, mas suspendeu a tramitação das representações contra outros cinco. Ficou definido que a Casa vai esperar a investigação do Superior Tribunal de Justiça(STJ) para definir o futuro político desses parlamentares.
Também são alvo de pedidos de cassação os deputados Rogério Ulysses (sem partido), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Rôney Nemer (PMDB) e Aylton Gomes (PRP).