Economia & Negócios

Prefeito e empresários discutem novo modelo de desenvolvimento

Da Redação
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O seminário “Bauru, Cidade Inovadora”, evento que teve como principal objetivo apresentar os possíveis caminhos para impulsionar o desenvolvimento da cidade e da região, discutiu ontem como fortalecer nosso parque industrial e capacitá-lo com o conhecimento tecnológico. Os temas mais abordados pelos profissionais que ministraram as palestras no auditório da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) foram a necessidade de maior aproximação entre as iniciativas pública e privada, a transferência do conhecimento universitário para a realidade dentro das empresas e o incentivo a diferentes modalidades de inovação e tecnologia. O prefeito Rodrigo Agostinho afirmou, na palestra de abertura, que prepara um projeto denominado Programação de Atração de Investimentos (PAI), que vai colocar Bauru na briga por novas indústrias.

A programação do seminário contou com a presença de diversos profissionais que articularam o panorama atual do desenvolvimento bauruense e as necessidades de mudança na estrutura da economia e na política da atração de empresas. Empolgado, o prefeito chegou a falar em colocar Bauru na “guerra fiscal” não declarada entre cidades para atrair empresas. Informou que deverá enviar nos próximos meses à Câmara Municipal o PAI, que deixará para trás a antiga visão de apenas oferecer terrenos às empresas interessadas em se instalar na cidade. Segundo ele, se os vereadores aprovarem, o município terá incentivos fiscais não apenas em impostos unicamente municipais, como o ISS e o IPTU, mas inclusive no ICMS. O projeto de lei, ainda em gestação em duas secretarias municipais (Finanças e Desenvolvimento Econômico), deverá prever a possibilidade de criação de incubadoras, pólo tecnológico, distritos industriais particulares e condomínios empresariais. Sobre esta última modalidade, há grupos interessados e alguns até com áreas já reservadas na cidade, à espera da ajuda governamental. Alguns dos entraves na esfera administrativa para tornar Bauru atrativa a empresas de fora, como a burocracia excessiva e a ineficiência da máquina pública, entre outras mazelas, serão atacados, segundo o prefeito.

“A nova visão que deve permear essa futura etapa é o desenvolvimento sustentado, em substituição à velha máxima da cidade sem limites”, advertiu o chefe do Poder Executivo, em uma crítica ao crescimento a qualquer custo.

Rodrigo lembrou que a preocupação com uma Bauru de mais oportunidades e de bem-estar a seus moradores começou no ano passado, com o projeto “Desenvolve Bauru”, uma parceria do Jornal da Cidade, com o Alameda Quality Center e a própria prefeitura. “Temos que dar sequência nisso. A capacidade de formação intelectual de Bauru é uma das melhores do Estado e talvez a do País”, afirmou, referindo-se às universidades públicas e privadas aqui instaladas.

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‘Máximo lucro e custo mínimo’

De acordo com o coordenador de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Pedro Bombonato, uma das principais falhas das empresas e indústrias do Estado é a dificuldade de absorver novos paradigmas criados pelo mundo moderno. Durante sua apresentação, Bombonato disse que os paulistas tiveram um grande crescimento com o nascimento de seus centros empresariais e industriais, mas que essa ascensão parou a partir do momento que a visão de “máximo lucro e mínimo custo” dos empresários não seguiu o paradigma da modernidade que adicionava o quesito “inovação” na fórmula para se destacar no mercado.

“A idéia de máximo lucro e mínimo custo ficou ultrapassada. A sociedade mudou e as empresas não podem mais agir como ‘sugadoras’, elas devem ser competitivas. E para serem competitivas, ainda mais com a economia globalizada, as empresas e indústrias têm que buscar a inovação e adicioná-la à fórmula”, frisa Bombonato.

Dentro dessa realidade surge a idealização da “cidade inovadora”, um pólo que passa a se organizar de maneira especialmente voltada para a criação de ambientes propícios à inovação, com interfaces favoráveis de relacionamento entre o poder público, empresas privadas e universidades, possibilitando maior empenho em fazer o capital intelectual extravasar para toda a sociedade e se transformar em riqueza.

Para buscar esse desenvolvimento direcionado para a implementação tecnológica e inovação das empresas em Bauru, a proposta mais destacada durante o encontro foi a integração dos poderes público e privado para criar um Parque Tecnológico com suplemento do empreendedorismo e inovação proeminentes das universidades.

Segundo o diretor de Inovação da Universidade de São Paulo (USP), Oswaldo Massambi, que também ministrou palestra durante o seminário, o projeto de Parque Tecnológico tem o foco de investir nas áreas de pesquisa e desenvolvimento dentro das empresas, juntamente com o conhecimento gerado pelas universidades, para alcançar maior valor agregado a seus produtos devido ao empreendedorismo e inovação tecnológica que passam a ser as principais características desse novo pólo econômico.

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Parque tecnológico tem gestão autônoma

Pedro Bombonato definiu o Parque Tecnológico como um local físico com gestão autônoma, independente da estrutura do poder público, que agrega o empresário e o setor produtivo em uma mesma atividade. Esse tipo de projeto tem a característica de manter um sistema de gestão flexível que disponibiliza a oportunidade de unir os setores empresarial e acadêmico para atuar dentro de uma mesma proposta, uma mesma linha de trabalho.

“É um local em que você pode caminhar, andar e conversar problemas e soluções do setor empresarial e do setor acadêmico. Se isso ficasse disperso, fora de uma área física em comum, você não permite que as informações circulem dentro da estrutura e as informações ficam perdidas, isoladas”, afirma Bombonato.

Um exemplo utilizado pelo coordenador de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo para reforçar a importância dos parques tecnológicos é o crescimento do projeto na cidade paulista de São José dos Campos. Em funcionamento há dois anos, o parque teve como base de sua criação a indústria aeronáutica. Entretanto, Bombonato verificou que empresas que não tinham ligação com a indústria aeronáutica começaram a migrar para lá.

“Por exemplo, a Vale Energia inaugurou no parque de São José dos Campos por considerar que o ambiente, os engenheiros e a estrutura de conhecimento que existiam lá permitiam que ela tivesse soluções para as áreas que ela necessitava. Assim como uma empresa têxtil que se instalou no parque por saber que nos próximos 20 anos os tecidos precisarão da tecnologia da fibra de carbono, área de grande conhecimento por parte da indústria aeronáutica. Essa oportunidade de atuar transversalmente que o parque oferece e passa a apresentar outro patamar para o desenvolvimento.”

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