Política

Serra dá pista e sinaliza que vai deixar o governo estadual

José Maria Tomazela
| Tempo de leitura: 3 min

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), deixou escapar uma pista de que sairá do governo para concorrer à Presidência da República ao participar da assinatura de contratos do programa Vila Dignidade, ontem à tarde, em Avaré. Discursando de improviso sobre programas de seu governo, ele falou como se estivesse em fim de gestão. “Pegamos o Dose Certa com menos de 40 medicamentos e vamos deixar com mais de 70.” Ao ser perguntado se deixaria o governo, corrigiu. “Eu quis dizer no período deste governo.”

Esse não foi o único sinal de que o governador está prestes a anunciar sua pré-candidatura a presidente. Durante o evento que reuniu os idosos moradores do núcleo de Avaré, inaugurado no mês passado, Serra se comportou como candidato, abraçando os velhinhos e posando para filmagens de sua equipe de assessores. Ele chegou a se emocionar ao ouvir os agradecimentos de dona Josefina Rosalina Muniz, de 75 anos, uma das beneficiadas - um depoimento gravado pelos assessores.

Ao lado do italiano Humberto Begnozzi, de 65 anos, lembrou a origem italiana e a infância pobre no bairro da Mooca, em São Paulo.

Ao antecedê-lo no palco montado no núcleo de casas, o prefeito de Avaré, Rogério Bachetti (PSDB), um dos coordenadores do partido no Interior, seguiu um script de campanha. “O José Serra faz grandes obras como o Rodoanel, com economia de mão de ferro, mas o Zé gosta de cuidar de gente. É o homem do seguro-desemprego, que popularizou o coquetel anti-aids, que peitou a indústria farmacêutica do mundo inteiro e criou o genérico, e que enfrentou os poderosos do tabaco.” E arrematou, pedindo: “Zé, faz mais disso tudo pelo resto do País.”

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Governador do Estado será candidato, diz Pannunzio

O deputado federal Antonio Pannunzio (PSDB) afirmou ontem em Itatinga, após a inauguração da obra do viaduto na SP-280, que a candidatura do governador José Serra (PSDB) está definida, só falta o anúncio oficial, porque ele respeita a lei eleitoral.

“A ministra Dilma Rousseff tem um profundo desrespeito pela lei eleitoral. Eles antecipam o processo eleitoral ao arrepio da lei. O governador não faz isso”, disse Pannunzio, quando perguntado sobre o motivo de o governador não anunciar sua pré-candidatura.

Para Pannunzio, a estratégia adversária é ocupar a mídia em todo evento oficial. “Ela vai a tira colo do presidente em todo tipo de evento. Estão tentando fazer conhecido um nome até então desconhecido. No caso do José Serra não ocorre isso, porque já é conhecido nacionalmente e não precisa antecipar-se ao processo legal”.

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Arce critica privatização feita no governo federal

O secretário dos Transportes, Mauro Arce, defendeu as concessões de estradas paulistas e negou que há excesso de pedágios. Ele participou ontem da inauguração da entrega dos dois viadutos da rodovia Castello Branco, na serra de Botucatu.

Para o secretário, o que fica caro é uma estrada federal como a Fernão Dias ficar seis meses interditada devido ao conserto de um viaduto. A rodovia foi concedida pelo governo federal, com taxa de pedágio inferior à praticada pelas concessionárias paulistas. “A Fernão Dias foi concedida com pedágio excessivamente baixo e não tem dinheiro para investimentos”, declarou.

Arce disse que o mesmo problema ocorreu com a rodovia Régis Bitencourt, que faz ligação São Paulo-Curitiba, com problemas de desmoronamento na serra do Cafezal que chegou a ficar com uma pista um mês fechada.

Para o secretário dos Transportes, o pedágio não pode ser de “brincadeira”, mas para ser arrecadado e fazer os investimentos. “No caso da Fernão Dias nem é dever da concessionária fazer um novo viaduto, porque nem está no contrato”, afirmou.

O secretário justifica que existem várias praças de pedágios para uma maior distribuição e pagar pelo trecho que usa. “Há mais praças e a tarifa é menor”, disse.

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