Economia & Negócios

Álcool cai e poderá chegar a R$ 1,40

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Após uma série de reajustes que começaram em dezembro do ano passado - quando o preço do litro do álcool em Bauru passou de R$ 1,49 para R$ 1,69, chegando a R$ 1,89 em janeiro -, há uma semana os valores começaram a baixar novamente, e novas quedas já são projetadas. Até ontem, na maioria dos postos de combustíveis da cidade os preços encontrados variavam de R$ 1,55 a R$ 1,59. Alguns estabelecimentos ainda vendem o etanol a R$ 1,69 e até R$ 1,79.

De acordo com Edivaldo Tuschi, empresário do ramo e diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, o motivo da redução é que as pequenas usinas começaram a moer cana-de-açúcar antes mesmo do fim do período de entressafra (que termina no final deste mês). Com isso, o preço de custo nessas usinas baixou e gerou reflexos diretos nas bombas de combustíveis de alguns postos. Na avaliação de Tuschi, dentro de 15 dias devem ocorrer novas quedas e o preço do álcool na cidade pode chegar a R$ 1,45, até R$ 1,40.

“O que está acontecendo é que muitas usinas pequenas, que estão com dificuldades financeiras, começaram a moer há uns dez dias, antes mesmo da cana estar no ponto de corte. O correto é que isso começasse a ocorrer no início de abril (quando se inicia um novo período de safra da cana). Então, os postos de bandeira branca (sem marca específica como Shell, Ipiranga etc), que geralmente são clientes dessas usinas menores, começaram a comprar álcool com preço de custo menor. Isso acabou sendo repassado ao consumidor”, explica Tuschi.

Bandeiras x estoque

Segundo ele, as distribuidoras “de bandeira” costumam fazer suas compras junto às grandes usinas de forma antecipada para fazer estoque. Então, o combustível que os postos de bandeira estão comercializando agora foi comprado na época em que os preços de custo estavam mais altos devido ao período de entressafra da cana - em torno de R$ 1,55, R$ 1,59.

“O que acontece nessa movimentação de mercado é que (com os postos de bandeira branca vendendo mais barato) o preço médio ponderado das grandes distribuidoras também começou a cair. No caso dos postos bandeirados, o preço de custo do álcool chegou a R$ 1,60. Hoje está em R$ 1,42, em média. O posto de bandeira branca que compra de distribuidoras pequenas - que não têm estoque - já está pagando R$ 1,32 de custo. Por isso, os preços caíram na bomba”, acrescenta o diretor do Sincopetro.

As grandes usinas devem começar a moer cana-de-açúcar no final deste mês, gerando novos reflexos no preço final do álcool nos postos. Entretanto, como as mudanças começaram mais cedo devido à antecipação das usinas pequenas, Tuschi avalia que nos próximos 15 dias o litro do álcool possa chegar a R$ 1,40. Com isso, o cenário voltaria a ser o mesmo do início de dezembro do ano passado, quando o litro do álcool hidratado era comercializado na cidade entre R$ 1,39 e R$ 1,49 em sua maioria.

Segundo ele, em postos de cidades da região, como Jaú, o litro do álcool ainda está mais caro do que em Bauru, sendo vendido a R$ 1,69 na maioria dos estabelecimentos. A reportagem tentou consultar o site da Agência Nacional do Petróleo (ANP) - www.anp.gov.br - para fazer comparações com outros municípios, mas estava “fora do ar”, em manutenção.

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Projeções de queda incluem a gasolina

Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade, em janeiro deste ano a escalada do álcool hidratado em Bauru fez com que o preço do litro chegasse a R$ 1,89 e se tornasse desvantajoso para o consumidor frente ao valor de R$ 2,59 da gasolina. Na ocasião, muitos proprietários de veículos flex passaram a abastecer com gasolina, já que seu rendimento em relação aos quilômetros rodados é mais eficiente. Mas em breve, a gasolina também deve cair.

No início do ano também houve uma alta na gasolina, cujo litro chegou a R$ 2,69. Com o valor deste combustível situado entre os mais altos do mundo e o litro do álcool alcançando custos jamais vistos, muitos motoristas deixaram o carro em casa e as vendas desses dois tipos de combustíveis chegaram a cair 8% em comparação a janeiro do ano passado. De acordo com o diretor do Sincopetro Edivaldo Tuschi, se comparada a dezembro de 2009 a queda foi ainda maior: 28%.

De acordo com ele, em abril o preço da gasolina deve recuar um pouco mais. O motivo alegado para o valor do litro ter chegado a R$ 2,69 foi a Portaria do governo federal que reduziu o percentual de álcool anidro adicionado à gasolina de 25% para 20%, desde o dia 1 de fevereiro. O objetivo era aumentar a quantidade de etanol disponível no mercado até o início da safra de cana, em abril. Mas com a gasolina mais concentrada, o repasse de custos ao consumidor foi inevitável, segundo o Sincopetro.

Então, já no dia 5 de fevereiro, o governo federal decidiu reduzir temporariamente, de R$ 0,23 para R$ 0,15, a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide), um dos impostos que incidem sobre o valor da gasolina. Como resultado, o preço do litro nas bombas voltou para R$ 2,59.

A partir do dia 10 de abril, o percentual de álcool anidro adicionado à gasolina voltará para 25%. Mas novas movimentações do mercado já são observadas. Ontem, a reportagem do JC encontrou postos vendendo gasolina a R$ 2,49 e até R$ 2,39.

Segundo Tuschi, a gasolina comercializada no Brasil é a mais cara do mundo. “O preço de custo para a sua produção é de R$ 1,05, quase o mesmo do álcool, que é de R$ 1,09. Mas a sua formação de preços é diferenciada”, disse o empresário em entrevista recente ao JC.

Os impostos, segundo ele, representam 53% do preço da gasolina ao consumidor final, ou R$ 1,37 por litro, se considerados os R$ 2,59 praticados em grande parte dos postos de Bauru no momento.

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