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No início da faculdade, tudo é festa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Literalmente, no começo, tudo é festa para os calouros das universidades. Depois da comemoração pela aprovação no vestibular, vem a euforia pela matrícula e as seguidas festas de apresentação e confraternização promovidas pelos alunos veteranos.

A extensa programação começa com os trotes solidários, que, embora não contem com a simpatia de uma parte dos “bixos”, têm a pretensão de ser descontraídos. Depois vêm as festas nos barzinhos ou na casa de algum veterano com o objetivo de integrar os novos alunos à turma.

Segundo Marcos Flores, um dos organizadores da Bixusc, evento que dá início à temporada de festas universitárias na cidade, devido a problemas com vizinhos e a polícia, as repúblicas estão deixando de ser um reduto desses encontros para dar lugar aos barzinhos.

Geralmente, são festas pequenas, que reúnem de 100 a 200 alunos e são realizadas pelo menos duas vezes por mês. As festas maiores chegam a reunir até 1.500 universitários, segundo Marcos. O Bixusc ocorre sempre uma semana depois do Carnaval. Embora seja aberto a todos os “bixos”, “bixetes” e veteranos, o evento conta com poucos alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) porque a maioria ainda não voltou às aulas nessa época.

Ainda no primeiro semestre tem a Fantusc, a festa à fantasia também organizada pelos alunos da Universidade do Sagrado Coração (USC). No segundo semestre, é realizada a festa de aniversário da Associação Atlética da Unesp – que organiza eventos esportivos e de integração dos alunos – e o Micaretusc. Todos abertos aos estudantes universitários da cidade.

Com tanta festa de confraternização, o faturamento dos supermercados, padarias, açougues, barzinhos, casas noturnas e outros espaços de lazer aumenta. A economia da cidade agradece.

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Dividir a residência testa

limite do companheirismo

Manter o relacionamento sem nenhum atrito é outro grande desafio dos calouros. Conviver com pessoas que nada ou pouco se conhece é sempre um risco. Isto porque muitos vão morar em repúblicas e passam a dividir espaço com pessoas que nem sempre compartilham dos mesmos hábitos.

“Nos identificamos logo no primeiro contato. Percebemos várias afinidades nos gostos e na forma como fomos criadas e decidimos morar juntas”, revela Gabriela Chicrala, que assim como sua companheira de apartamento Renata Kato é “bixete” de odontologia.

Por causa dessa combinação, Renata acredita que elas não terão grandes problemas de convivência. Além das afinidades já demonstradas entre ambas, elas apostam no entendimento através de uma boa conversa. “Com o tempo, nós vamos nos conhecendo melhor. Quando for preciso definir alguma coisa, vamos sentar e conversar”, adianta.

Com os dotes culinários ainda incipientes, elas terão de conversar muito para definir o cardápio das refeições e como colocá-lo em prática. “Quando eu soube que iria morar em outra cidade, comecei a aprender como se faz alguns pratos, com a ajuda da minha mãe”, conta Renata.

Gabriela fez o mesmo, mas admite que ainda não está no melhor da sua forma culinária. “Teve dia que a comida não ficou nada boa”, brinca. É tudo uma questão de prática.

Se as meninas, em geral, sabem fazer pelo menos o básico para não passar fome, o mesmo não pode ser dito dos meninos. Dificilmente, eles chegam à universidade sabendo cozinhar. Com o tempo, eles aprendem. Por isso, quem geralmente faz a comida são os veteranos.

É o caso do apartamento onde mora o estudante de engenharia mecânica da Unesp Felipe Delduca Cilino, 18 anos. O local tem quatro moradores, sendo três “bixos” e um veterano. Quem cozinha é o veterano. E, segundo Felipe, ele o faz com competência. “O arroz até que fica bem soltinho”, elogia.

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‘Bixos’ aquecem mercado imobiliário

Responsáveis pelo aumento de cerca de 50% na procura por aluguéis, os calouros formam um público muito cobiçado pelas imobiliárias. Tanto que uma delas, a Gilar, criou uma divisão exclusiva para atender os universitários.

De acordo com a corretora de imóveis Claudete Beghini, esse é um mercado que está passando por algumas modificações. Uma delas é quanto à procura, que foi antecipada para os meses de novembro e dezembro. Segundo ela, os pais ou o próprio aluno não estão deixando mais para a última hora a busca por um imóvel. Eles perceberam que quanto mais adiam essa busca, mais tumultuada fica a procura e mais restritas se tornam as opções.

Para facilitar o contato com clientes de outras cidades, as imobiliárias estão contando com os recursos da Internet. Por meio do chat (conversa online), elas tiram dúvidas dos interessados, que chegam a Bauru com quase todas as informações que precisam. Só fica faltando fechar o negócio.

Segundo Claudete, os imóveis mais procurados pelos universitários são os que ficam próximos do shopping, do Walmart e da avenida Nações Unidas. Eles procuram aliar praticidade na locomoção com as opções de compra e lazer.

E os imóveis mais procurados são os apartamentos de um quarto. De acordo com a corretora, as repúblicas de estudantes diminuíram de tamanho. Elas estão migrando das casas para os apartamentos e têm cada vez menos integrantes. As reclamações quanto ao barulho foram as responsáveis por essa mudança. Em alguns prédios da cidade não se admite a presença de repúblicas.

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