Saúde

Os benefícios da equoterapia em Bauru

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Longe dos aparelhos médicos e da frieza emparedada dos ambientes hospitalares, existe uma forma de regenerar, ou amenizar, as sequelas causadas por deficiências físicas e mentais com base na liberdade e, principalmente, cumplicidade. A equoterapia, segundo definição da Associação Nacional da prática (Ande), é um método terapêutico e educacional que emprega o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, na busca pelo desenvolvimento biopsicossocial de portadores de deficiência ou necessidades especiais.

Contudo, mais que um instrumento promotor de ganhos físicos, psicológicos e emocionais, o cavalo, tanto para os profissionais que aplicam o método quanto, fundamentalmente, para os pacientes, é, acima de tudo, um companheiro.

A cumplicidade entre paciente e animal, atesta a psicóloga Priscila Foger Marques, da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae) de Bauru, é ferramenta terapêutica por envolver, além dos ganhos motores gerados pelas cavalgadas, a afetividade proporcionada pela comunicação direta entre paciente e animal.

“A gente percebe que é algo até ‘mágico’’, porque o cavalo realmente percebe as características do aluno especial”, comenta a psicóloga. “O cavalo consegue diferenciar quando a pessoa tem uma condição física que necessite o passo mais lento ou que fique até mais quieto para a pessoa montar ou apear”, observa. “É realmente impressionante essa relação afetiva e de sensibilidade”, comove-se.

Diferentes casos

Os benefícios motores, comportamentais e emocionais propiciados pela equoterapia são observados em pacientes de variadas idades e casos. “Atendemos pessoas a partir de 3 anos. Mais novos precisam passar por um estudo de caso específico”, diferencia a psicóloga da Apae-Bauru, que atenderá 30 pessoas a partir de abril por meio de parceria com a Sociedade Hípica de Bauru .

Uma delas é o advogado Eduardo Jannone da Silva, de 32 anos. Tetraplégico por força de um acidente automobilístico, ocorrido há sete anos, ele conta que há cinco participa das sessões equestres e testemunha significativos progressos, tanto em questões motoras quanto para o dia a dia profissional e pessoal.

“Tive uma lesão medular com prognóstico de tetraplegia. Nos primeiros atendimentos eu tinha que montar junto com outra pessoa, de tão pequeno que era meu equilíbrio de tronco. Com o progresso e tempo de terapia consegui, há dois anos, ficar montado sozinho numa sela”, comemora o paciente, que conjuga o procedimento com fisioterapia e hidroterapia.

“Há um conjunto de terapias, mas a equo foi realmente muito importante, para me dar mais autonomia para o dia a dia, com maior equilíbrio na cadeira e mais movimentos. Tem me ajudado muito, com um ânimo diferente. Interfere no astral”, diferencia o advogado, ao creditar o bem-estar aos ambientes arejados onde ocorrem as sessões, além do contato com os animais. “A gente fica mais bem disposto e equilibra com as terapias em ambiente hospitalar, nas clínicas”, compara.

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Melhora a galopes

Outro caso em que a companhia de um cavalo foi providencial para evidentes progressos é o do garoto Vítor Fujii, de 8 anos. Portador de uma rara associação de síndromes (Charge e Di Giorgi), que, basicamente, impedem o desenvolvimento da musculatura, o menino, antes de iniciar o tratamento de equoterapia, não conseguia sustentar o próprio pescoço.

“Hoje ele sustenta o pescocinho, consegue dar as passadas. Com a equoterapia ele ganha mais resistência para trabalhar na fisioterapia”, afirma Luzimeire Rosa Aparecida Fujii, mãe do menino. “Ele gosta muito dos cavalos. Apesar de ser uma criança que interage pouco, não gosta de brinquedo e animal, demonstra proximidade com o cavalo. Nem sei descrever a alegria que ele sente”, emociona-se a mãe.

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