Os funcionários e pacientes que estavam no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru no início da noite de ontem passaram por momentos de terror. Por muito pouco eles não foram agredidos a golpes de machadinha por um homem até então não identificado.
O agressor foi levado ao PS por uma equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Ele foi encontrado caído na rua com um corte na cabeça e uma bolsa do lado. Mesmo desacordado, ele foi atendido pelos funcionários do PS, que fizeram a sutura do corte.
Quando retomou a consciência, o homem levantou da maca onde estava no corredor do PS, sacou a machadinha de dentro da bolsa, que foi colocada do lado dele, e passou a ameaçar funcionários e pacientes que também estavam sendo atendidos.
Emocionalmente alterado, dizia palavras de baixo calão e tentava desferir golpes contra as pessoas que estavam perto dele. Desesperados, funcionários e pacientes tentaram se proteger de todas as formas e gritavam por ajuda.
Enquanto os vigias tentavam deter o agressor, outros funcionários ligaram para a polícia. Descontrolado, o homem partiu em direção ao Hospital de Base, onde também tentou agredir mais pessoas. Além da machadinha, ele carregava na bolsa uma tesoura de jardineiro, a qual também utilizou para tentar acertar quem passava pela frente.
O desespero deu lugar à apreensão quando os vigias Durvalino Lopes Santos e Vivaldo Pereira Martins conseguiram prender o agressor no estacionamento privativo dos médicos. Eles aproveitaram que o homem entrou no estacionamento e fecharam o portão.
Enquanto ele golpeava o portão na tentativa de sair, os funcionários ganharam tempo até que a polícia chegasse. Com os policiais já no local, eles abriram o portão e no momento em que o homem passou foi imobilizado pelos militares para alívio geral dos presentes.
Depois disso, ele foi sedado e quando a reportagem compareceu ao PS ele continuava deitado, imóvel, na maca, com os braços amarrado na grade, sem a bolsa com a machadinha e a tesoura.
Assustados, os funcionários relataram que, infelizmente, as agressões por parte dos pacientes é algo comum na rotina de trabalho deles. De acordo com o maqueiro Benedito Dorival Adão, por diversas vezes já foi solicitado a todos os órgãos competentes que tomem medidas para aumentar a segurança dos funcionários, mas nada foi feito até agora.
Eles pedem a presença de um policial em tempo integral no PS para, pelo menos, inibir a ação agressiva dos pacientes. Segundo Adão, a resposta é sempre a mesma, ou seja, falta efetivo policial para atender a reivindicação.
De acordo com a auxiliar de enfermagem Raquel Prates, as agressões partem principalmente de presos e de acusados de crime. Revoltada com o episódio de ontem, ele protestou contra a falta de segurança para exercer a profissão com dignidade e tranquilidade. “Talvez, no dia em que alguém morrer vão tomar alguma providência.”