O Dia Internacional da Mulher, ocorrido dia 8 deste mês, e a leitura do editorial intitulado “E viva a mulher!”, de autoria da ilustre jornalista Giselle Hilário, publicado no Jornal Segunda-Feira – publicação do Jornal da Cidade – (8/3/10), me levou a relacioná-lo com um fato significativo ocorrido dias atrás em Bauru, noticiado em destaque nos jornais locais, Jornal da Cidade e Bom Dia (6/3/10), sobre a chegada em Bauru da 3.ª sargento do Exército, Carolina Campitelli Nakamura, para prestar serviço na 6.ª CSM (Circunscrição do Serviço Militar) de Bauru.
Segundo as reportagens, a 3.ª sargento Nakamura entrou para a história. É a primeira mulher a ser convocada para trabalhar na 6.ª CSM de Bauru. Este fato exemplifica bem o excelente editorial do Jornal Segunda-Feira sob o título “E viva a mulher!”, com texto da jornalista responsável do JC, ao afirmar: “E hoje elas estão onde até pouco tempo só existiam homens”.
No Dia Internacional da Mulher, comemorado pelas conquistas obtidas pela valorização da mulher, comporta observar fato contrastante com o que vem ocorrendo com o exercício do magistério. A profissão de professora é intrínseca ao sexo feminino, lembrando as áreas da educação infantil e ensino fundamental, pela sua faixa etária.
No entanto, hoje é a profissão mais desvalorizada, em que pese a Constituição Federal, explicitamente determinar: “Valorização dos profissionais do ensino...”. Levantamento realizado junto aos candidatos inscritos no vestibular de ingresso ao ensino universitário, em todo o Brasil, apenas 2% afirmaram se interessarem ao exercício do magistério.
Entre o auge no passado, em ser professora, e a decadência no presente, da profissão, comporta evocar a música de enorme sucesso na metade do século passado: “Normalista”, letra de Benedito Lacerda e David Nasser, cantada por Nelson Gonçalves: “Vestida de azul e branco/ Trazendo um riso franco/ No rostinho encantador/ Minha linda normalista/ Rapidamente conquista/ Meu coração sem amor/ Eu que trazia fechado/ Dentro do peito guardado/ Meu coração sofredor/ Estou bastante inclinado/ A entregá-lo ao cuidado/ Daquele brotinho em flor/ Mas a normalista linda/ Não pode casar ainda/ Só depois de se formar/ Eu estou apaixonado/ O pai da moça é zangado/ E o remédio é esperar”.
Meus cumprimentos a todas as mulheres no Dia Internacional da Mulher, em particular meus parabéns à sra. Carolina Campitelli Nakamura, 3.ª sargento do Exército, pioneira na 6.ª CSM (Circunscrição Militar) de Bauru, e à jornalista Giselle Hilário, jornalista responsável do JC, pelo brilhante editorial.
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério do Estado de SP, membro do Conselho Superior do Centro do Professorado Paulista e membro da Academia Bauruense de Letras