Iaras - Após apreciar defesa apresentada pela vereadora Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa (PT), acusada de participar da invasão e depredação da fazenda Santo Henrique, da Cutrale, em Borebi, no final do ano passado, a Comissão Processante (CP) instaurada em Iaras (90 quilômetros de Bauru) para apurar suposta falta de decoro parlamentar por parte da petista decidiu pela continuação dos trabalhos de investigação. O clima na Câmara foi tenso e a Polícia Militar conduziu dois integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) à delegacia por suposta denúncia de ameaça a jornalista que fazia fotos da reunião.
De acordo com o presidente da Câmara, João Elemar Presser Junior (PPS), com base em pedido apresentado pelo assentado Gileno Marques, em que pede a cassação do mandato da vereadora por conta da sua prisão na Operação Laranja da Polícia Civil, a CP foi instaurada no final de fevereiro e Rosimeire apresentou sua defesa.
“Hoje (ontem), foi apreciada (a defesa) para ver se a Comissão Processante continuava ou parava”, explica. “O presidente da comissão e o relator votaram pela continuidade dos trabalhos”.
O presidente conta que a vereadora foi denunciada pelo Ministério Público de Lençóis Paulista por formação de quadrilha, furto e dano qualificado e esbulho possessório (invasão de propriedade).
A partir de agora, os membros da comissão vão dar início aos trabalhos ouvindo testemunhas e reunindo provas para comprovar se houve ou não a quebra de decoro. A comissão tem prazo de 90 dias para concluir as investigações e apresentar o relatório final para que ele seja submetido ao julgamento dos nove vereadores.
A reportagem do Jornal da Cidade tentou falar com a vereadora na tarde de ontem, mas ela não foi localizada para comentar a decisão. Quando a CP foi instaurada, a parlamentar afirmou em plenário durante a palavra livre que a denúncia da Justiça estava equivocada e que, mesmo sendo assentada, não vai deixar de dar apoio ao movimento social pela reforma agrária.
Rosimeire foi presa no dia 26 de janeiro junto com o marido, Miguel da Luz Serpa, e mais quatro militantes do MST, mas conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça que possibilita responder em liberdade a ação penal que foi instaurada pela Justiça de Lençóis Paulista.
O MP ofereceu denúncia contra 22 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) de Iaras, Borebi e de assentamento próximo ao distrito de Domélia pela invasão à fazenda da Cutrale em Borebi.
Confusão
Durante a reunião da Comissão Processante (CP) instaurada em Iaras para apurar suposta falta de decoro por parte da vereadora Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa (PT), dois sindicalistas da CUT que participavam de manifestação contra a cassação da parlamentar envolveram-se em confusão com jornalista que fazia fotos da reunião. Eles foram presos pela PM e levados à delegacia, onde prestaram depoimento e foram liberados.
O presidente da Câmara, João Elemar Presser Junior (PPS), conta que os manifestantes já haviam comparecido a sessão do Legislativo da semana passada e ela acabou sendo adiada.
“Esse pessoal está causando transtorno na cidade”, diz. Segundo ele, o grupo teria ameaçado e ofendido vereadores na tentativa de intimidá-los a não aprovar uma possível cassação da vereadora petista. “Eles estão tentando nos intimidar e por medo”, afirma.
Para garantir a segurança dos parlamentares e a continuação dos trabalhos, o presidente teria pedido reforço à PM para a reunião de ontem. O plenário da Câmara, com capacidade para 40 pessoas, foi aberto, mas o uso de faixas e bandeiras foi proibido. Segundo ele, uma confusão teria começado quando um dos presentes ameaçou e tentou retirar a máquina fotográfica da repórter de um jornal local e acabou sendo encaminhado à delegacia.
O major Loriano, comandante da PM de Avaré, confirma que destacou um efetivo para garantir a segurança dos vereadores. “Como havia informação de que haveria novos manifestos tanto nas sessões ordinárias da Câmara quanto nas sessões extraordinárias que avaliam a questão da cassação, o presidente pediu para que, nas próximas sessões, a Polícia Militar se faça presente para manutenção da lei e da ordem”, informa.
Segundo ele, a desinteligência envolvendo dois sindicalistas e uma jornalista está sendo apurada pela Polícia Civil. “As partes foram conduzidas para a delegacia de polícia, onde foi registrado o fato”, diz.
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Coordenador da CUT lamenta ‘mal entendido’
O coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, Francisco Wagner Monteiro, o Chicão, foi um dos manifestantes presos durante a confusão ocorrida ontem na Câmara de Iaras. Segundo ele, a manifestação foi pacífica e em momento algum houve qualquer tipo de ameaça por parte dos membros da CUT à jornalista.
“O que aconteceu realmente foi uma confusão incitada pelo presidente da Casa, que usou da Polícia Militar para tentar acabar com a manifestação”, alega.
De acordo com Chicão, como a profissional não possuía a identificação do veículo para o qual trabalhava, os manifestantes pediram para que ela não os fotografasse.
“Ela foi advertida de que não estava autorizada. Ela não tinha identificação nenhuma de órgão da imprensa”, afirma. “Ela se sentiu intimidada por essa advertência mais dura de alguns sindicalistas. Nosso entendimento é de que ela foi orientada”.
Após o fato, segundo o coordenador, a jornalista teria sido orientada a registrar queixa contra os manifestantes dizendo que havia sido agredida. Em seguida, os policiais teriam tentado prender o acusado da suposta “ameaça” e Chicão impediu. “Nós trabalhamos e resistimos ao impedir”, diz. Os três foram conduzidos à delegacia, onde prestaram depoimento e foram liberados.
O coordenador revela que a jornalista não confirmou as denúncias de ameaça. “O mal entendido foi desfeito na delegacia”, conta. De acordo com ele, a CUT estará presente no próximo dia 23 à audiência na Câmara de Iaras para protestar contra a Comissão Processante que busca cassar o mandato da vereadora petista.