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Melhoria continua


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Toyota: crise de valor

Desde 1950, o que mais se vê nos Estados Unidos são japoneses sedentos por assimilar a cultura americana. E realmente absorveram quase que plenamente, inclusive os principais defeitos. Dentre eles a mania do gigantismo, sem querer generalizar.

Acompanho de perto a Toyota desde o início da década de 1980 e passei a admirá-la principalmente pela simplicidade e disciplina em fazer prevalecer, em sua cultura corporativa, os seus dois únicos pilares: a melhoria contínua e o respeito ao ser humano.

Infelizmente, recentemente, um desses valores ficou somente na teoria. Executivos dessa montadora, cientes dos riscos provenientes de defeitos no freio e no acelerador em veículos produzidos por ela nos Estados Unidos, demoraram em dar explicações aos clientes, bem como em solucionar os problemas através de “recall”. Resultados: dezenas de mortes e feridos. A Toyota desrespeitou o ser humano. Sem sombra de dúvida, é na adversidade que a gente conhece a verdade.

A Toyota deixou de priorizar a qualidade total para focar a “quantidade” total. Ser a maior do mundo passou a ser o seu novo objetivo tentador. Inverteu a filosofia “melhorar para crescer”.

Isso me fez lembrar de um cliente cuja organização cresceu muito num curto espaço de tempo, realizando exportações para mais de 60 países. Percebi que a sua família não estava bem, pois sentiam a sua ausência constante. Ele vivia de forma ansiosa, em viagens mundo afora. Já não tinha mais convívio familiar e social. Em face disso, tomei a liberdade de perguntar a ele qual a razão de querer que a empresa crescesse tanto. Não soube responder. Ficou de pensar e me retornar. Até hoje aguardo a resposta.

Com valores internos não se brinca. Comportamentos de antipatia, intolerância e impaciência são educáveis. Agora, a vacilada da montadora japonesa no tocante à credibilidade, a base principal do relacionamento, é demonstração de falha de caráter. Esse tipo de comportamento não é educável. A sua correção é lenta e ocorre apenas na faculdade da vida.

Indiscutivelmente, no topo o ar é rarefeito. As pessoas que conheci que atingiram essa posição - tão almejada por muitos - demonstraram determinado desequilíbrio. A explicação está na famosa vaidade, oriunda do orgulho, que faz o mais equilibrado se desequilibrar.

Sou de uma época que o empresário zombava quando o consultor sugeria escrever os valores da organização. Hoje está bem claro que não ter valores provoca perda de dinheiro. Novos tempos. Portanto, viva o lucro decente.

Davison de Lucas é diretor da M. Davison & Associados. Consultor organizacional e palestrante. Site www.mdavison.com.br. Telefone (14) 3234-6684.

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