Falta gente. Esta é uma das principais justificativas entre as pastas municipais de Obras, Meio Ambiente e Administrações Regionais em relação ao questionamento sobre a falta de manutenção das áreas públicas de Bauru. A necessidade de maior número de funcionários, conforme os titulares das três secretarias, é latente. Além da falta de pessoal, uma maior estrutura também se faz necessária para melhorias e manutenção do que já existe.
Eliseu Areco Neto, titular da Secretaria Municipal de Obras, diz que, ao menos em sua pasta, a frota de caminhões e máquinas está longe do ideal para uma cidade do porte de Bauru. “Temos quatro caminhões, uma pá-carregadeira e uma moto-niveladora”, detalha. “O ideal, apenas para garantir a manutenção, seria entre dez e 15 caminhões, além de uma carregadeira e outra niveladora a cada quatro caminhões”, contabiliza o secretário, ao anunciar recente compra de maquinário, que minimizará o déficit.
Outro ponto que prejudica a intervenção da prefeitura em melhorias e manutenção do patrimônio, segundo o secretário de Obras, é a inexistência de um sistema de geoprocessamento na prefeitura que permitisse ações coordenadas entre todas as pastas. “Gera uma falta de sincronia”, comenta Areco Neto, ao criticar também a demora burocrática nos processos de contratação de serviços ou aquisição de materiais.
“A exemplo do ano passado, contratamos neste ano uma empresa para a terraplanagem. A firma que ganhou a concorrência não disponibilizou o equipamento, mexia apenas com os documentos. Foram quatro meses preparando (processo licitatório) para dar nisso. Podemos processá-los judicialmente, penalizá-los. Só que o mais importante mesmo é a máquina na rua. Agora serão mais 90 dias”, lamenta, sobre a necessidade de nova contratação para o serviço.
Ricardo Oliveira, titular da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), também critica a morosidade burocrática como um dos principais obstáculos que emperram a engrenagem pública. “Enfrentamos uma série de amarras, com a própria legislação, que apesar de tornar o processo lento, é necessária, pois está envolvido o dinheiro público”, reconhece o secretário, também alegando falta de funcionários e recursos materiais, propiciadas também, acentua Oliveira, por más administrações passadas.
Contudo, em conjunto, os secretários municipais, que reconhecem as deficiências do Poder Público, também apontam que uma parcela da população não colabora com o zelo e limpeza das praças e parques, com entulhos despejados nos locais, além de depredação. “É impressionante como as pessoas jogam lixo e entulho nas vias públicas”, condena Valcirlei Gonçalves da Silva, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). “Vizinhos que presenciarem atos assim, por favor, denunciem. Se necessário, vamos multar”, assegura.