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Cavalo crioulo ganha destaque na região

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

De forte presença nos Estados do Sul do País (Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul), a raça crioula tem, cada vez mais, conquistado o interesse de criadores do sudeste brasileiro. Durante todo o fim de semana, dezenas deles estiveram reunidos em Bauru para evento realizado pelo Núcleo Sem Fronteiras de Criadores de Cavalos Crioulos, com sede na cidade.

A iniciativa promoveu provas, exposições e leilão e será encerrada hoje, no Recinto Mello Moraes, com a etapa final da credenciadora ao “Freio de Ouro” (prova ranqueada pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos - ABCCC), além de uma prova de rédeas, a partir das 8h30. Realizado ontem, o Leilão Inovação - primeiro dedicado à raça na cidade - está entre os indicativos da expansão da raça na região, de acordo com Paulo Roberto Parmegiani, vice-presidente do núcleo, que em seus três anos de existência saltou de 20 para 60 associados.

“O número de eventos dedicados à raça tem crescido e o leilão veio, justamente, para atender à procura existente na região, eliminando as barreiras e empecilhos de trazer esses animais dos Estados do Sul”, comenta Parmegiani, que já solicitou que etapas classificatórias ao “Freio de Ouro” também aconteçam em Bauru. A competição é nacional e ocorre todos os anos, em agosto, na cidade gaúcha de Esteio.

“É uma raça em franca expansão, que está sendo bem aceita nas fazendas para lida, como também nas competições; os leilões têm mostrado excelente liquidez e ainda representa um excelente custo benefício”, enumera o criador. De acordo com Parmegiani, o preço de um bom cavalo crioulo para prova de rédeas gira entre R$ 10 mil e 15 mil.

“Você não paga um valor absurdo por um animal de excelente qualidade e completo, ele só não é apto para saltos. Além da sua eficiência na lida, o crioulo tem se destacado nas provas multi raças, que é um segmento onde ele não tem tradição e começou há pouco tempo”, completa Ana Eliza Esparza Parmegiani, diretora social do núcleo.

Para Alvaro Dumoncel, diretor da ABCCC, o Sudeste está perto de se igualar em qualidade da raça aos Estados do Sul. “O que notamos como criador é que bons animais estão começando a sair do Paraná, Rio Grande do Sul, trazidos por investidores, principalmente, de São Paulo e sul de Minas”, afirma. Também jurado nas provas realizadas em Bauru, Dumoncel destaca a evolução dos animais presentes desde a sua última passagem no evento do núcleo, realizado em 2007.

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Competitividade e resistência são principais características da raça

O crioulo é uma raça descendente de cavalos da Península Ibérica. Os animais foram trazidos para a América, no século 16, e como as viagens costumavam ser demoradas, muitos cavalos morriam, chegando ao destino final somente os mais fortes. Assim, a resistência é uma das principais características desse animal.

“É um animal bem rústico, que se adapta rapidamente. De porte mediano, ele tem o ponto de equilíbrio mais baixo e isso permite manobras que facilitam muito na lida com o gado”, resume Paulo Roberto Parmegiani. Para o criador de Miracatu (SP) Marco Antônio Doti, essa abrangência das funções bem executadas pela raça é também um dos motivos da expansão do crioulo. “O cavalo é muito bom e isso facilita a penetração em qualquer tipo de esporte, ele é muito competitivo”, comenta o criador e proprietário do cavalo Ganadeiro da Harmonia, vencedor do “Freio de Ouro” em 2006.

Quem se interessar em acompanhar as provas hoje, no Mello Moraes, o local estará aberto desde as 8h30 e a entrada é gratuita.

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