A figura do funcionário que passa quase uma vida inteira dentro de uma empresa está desaparecendo. A competição acirrada entre as empresas é apontada como a principal responsável por essa mudança. A rotatividade ocorre por dois motivos básicos. Um deles é a necessidade das empresas em reduzir custos, o que leva à demissão dos mais velhos de casa, que geralmente custam mais caro para a folha de pagamento. O outro é em razão da competição, o que leva as empresas a procurar se cercar de funcionários capacitados. Como consequência, o trabalhador tem a opção de avaliar propostas que lhe convêm para mudar de empresa.
Há ainda quem faça planos de se aposentar na empresa onde começou e está até hoje, como a analista de recursos humanos Débora Bincoleto. Mas, de acordo com José Eduardo Rubo, gerente regional do trabalho e emprego, em Bauru, órgão vinculado ao Ministério do Trabalho, funcionários com essa determinação são cada vez mais raros.
Segundo ele, mesmo que haja essa vontade por parte dos trabalhadores, nem sempre as empresas estão interessadas que isso seja levado adiante. Ele conta que, ao longo dos anos, tem notado que, por necessidade, as empresas estão demitindo os funcionários mais antigos com o propósito de reduzir custos e se manter competitivas no mercado.
Depois de muitos anos em uma mesma empresa, o trabalhador adquire alguns benefícios, os quais são incorporados à folha de pagamento. Com isso, ele vai ficando “caro” para a empresa. Na hora de reduzir custos, via de regra, são os primeiros a serem dispensados. No lugar deles, são contratados outros para ganhar bem menos.
Segundo Rubo, isso tem acontecido bastante nos últimos anos. A mudança, segundo ele, tem ocorrido mais pela interferência do empregador do que dos trabalhadores. “O que nós vemos no trabalho de fiscalização não é o trabalhador querendo sair. Afinal de contas, quase todo mundo procura estabilidade, porque isso possibilita um planejamento de vida. Se dependesse da vontade do trabalhador, ele ficaria mais tempo na empresa”, afirma.
Segundo ele, essa mudança no comportamento das empresas começou a ser mais frequente de 15 anos para cá, quando houve uma maior abertura do mercado internacional para os produtos brasileiros e vice-versa. E os trabalhadores mais afetados são os menos qualificados, cujo serviço não exige conhecimento aprofundado e pode ser feito por outras pessoas sem muito prejuízo para a produção.
No caso da mão de obra qualificada, a rotatividade ocorre por outro motivo. Procurando manter-se competitiva no mercado, as empresas buscam os melhores profissionais. Segundo a analista de recursos humanos Livia Cordeiro, isso tem dado ao trabalhador qualificado a opção de avaliar propostas e escolher a que mais lhe convém. Segundo ela, o dinamismo do mercado tem contribuído fortemente para a rotatividade de funcionários dentro das empresas.
De uma forma geral, a analista afirma que os trabalhadores são menos leais hoje. Livia lembra que, antigamente, era muito comum ver um trabalhador apenas com ensino médio completo crescendo com a empresa até tornar-se um líder após 10 ou 20 anos de casa.
Agora, para chegar a esse ponto a pessoa deve ter cursos e experiências diferenciadas. “O mercado de trabalho hoje está muito competitivo”, afirma. “Estamos vivendo a era dos multiespecialistas e o mercado atual concorre pela mão-de-obra qualificada.”