O casal José Cláudio Dezem e Yolanda Franceschetti Dezem faz parte de uma ‘espécie em extinção’. Eles são de uma geração em que trabalhar quase a vida toda em um único emprego era comum. José Cláudio passou 30 anos de sua existência trabalhando no antigo banco Banespa, hoje Santander. Sua esposa, Yolanda, ficou um pouco menos. Mesmo assim, foram 24 anos de dedicação ao mesmo patrão.
Hoje, ambos estão aposentados e relembram com orgulho e satisfação o tempo da ativa. Apesar de tantos anos na mesma empresa, afirmam que nunca ficaram acomodados ou entediados. “Mesmo com 50 anos de idade, eu considerava meu desempenho no banco melhor do que o de muitos colegas jovens”, comenta Yolanda.
“Eu gostava do que fazia e fazia com amor, com dedicação”, relata. “Nunca cogitei a possibilidade de sair”, afirma. Tanto ela quanto o marido são formados em educação física. Jamais pensaram em deixar o trabalho no banco para exercer a profissão que aprenderam na faculdade.
José Cláudio frisa que, quando uma pessoa gosta do que faz, a probabilidade de fazer bem é sempre maior. Na opinião dele, o cenário hoje é um pouco diferente. “Os jovens não pensam em carreira. Eles estão mais preocupados em pagar a faculdade e depois seguir outro caminho”, observa.
E na opinião dele, os jovens não estão errados. “Para quem trabalha em banco, pensar em carreira pode ser uma grande ilusão”, afirma. “Porque para os bancos não é interessante ter funcionários antigos. O salário é maior”, justifica.
Para o aposentado, esse é um erro porque a experiência adquirida ao longo dos anos torna a execução dos serviços mais rápida e eficiente não só nos bancos, mas em todas as empresas.
Há 19 anos atuando na área administrativa de uma fábrica de utensílios plásticos, a analista de recursos humanos Débora Bincoleto quer seguir os passos do casal de ex-banespianos. Formada em psicologia e pós-graduada em gestão de pessoas, ela não pensa em sair da empresa, onde entrou como estagiária. “Se depender de mim, aposento aqui”, revela.
Débora conta que acompanhou o crescimento da Plasútil e considera a empresa sua casa. Quando ela entrou, a empresa tinha cerca de 380 funcionários. Hoje, tem cerca de 860. Na época, as exportações eram tímidas. Atualmente, os produtos são mandados para mais de 30 países.
Débora cresceu profissionalmente junto com a empresa. “Quase tudo o que eu aprendi na minha vida profissional foi aqui”, diz. “Adoro o que eu faço. Venho trabalhar com satisfação.”
Aliás, gostar do que se faz e ter prazer em ir trabalhar são dois ingredientes que não podem faltar em qualquer receita para o sucesso, tanto da empresa quanto do funcionário, diz a psicóloga Débora.