Regional

Churrasqueira é utilizada como incinerador em cidades da região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Uma pesquisa feita em 2008 por uma aluna de pós- graduação da Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru revelou que nas 22 cidades pesquisadas há um “abismo” entre os dados oficiais e a situação real. A pesquisadora registrou em fotos um forno de tijolo refratário aberto incinerando resíduos de Saúde. No papel, a mesma situação foi descrita como se o município tivesse um incinerador.

“É um absurdo. A queima é a céu aberto. Em outro município, o forninho, muito semelhante a uma churrasqueira, estava instalado no fundo de um Centro de Saúde. Tudo aberto, sem critério”, diz a pesquisadora Raquel Marcondes Fonseca de Marco.

Em outra cidade, os resíduos de saúde eram recolhidos pelo coletor de lixo comum, colocado num caminhão compactador e levado para o aterro em valas, junto com os demais resíduos. “É uma das situações mais graves encontradas. Em grande parte dos municípios onde a coleta de lixo é terceirizada, a empresa não incinera e aterra junto com o lixo comum.”

Números x realidade

Mas o que mais chamou a atenção da pesquisadora foi o disparate entre os dados oficiais coletados em órgãos públicos e a observação no campo. “Os municípios não sabem quanto coletam de lixo, a situação dos aterros. Os técnicos responsáveis, em sua maioria servidores municipais, não sabem a diferença entre um aterro e um lixão. Falta fiscalização.”

Há municípios, segundo ela, que colocam no papel que têm aterro sanitário, mas no local indicado há um lixão. “O lixo é depositado em local aberto. Tem catadores com crianças coletando reciclável. Encontrei uma família toda no lixo. Eles estavam sentados sobre resíduos”, espanta-se Raquel.

Outra aberração registrada pela pesquisadora foi o depósito de restos de construções. “Nas cidades maiores onde tem a figura do caçambeiro há mais problemas, porque nem todos depositam no local credenciado pela prefeitura. Eles depositam em erosões, buracos e até na beira dos rios. Nos municípios de pequeno porte, onde a coleta é feita pela própria prefeitura, o trabalho é mais eficiente”, conclui.

Comentários

Comentários