Bairros

Cerrado: um convite à contemplação

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Um emaranhado de matos secos e de árvores com caules tortos e cascudos. Esta é a primeira impressão de quem é apresentado superficialmente ao cerrado. A vegetação nativa, típica da região de Bauru e ameaçada de extinção, pouco desperta a atenção de seu observador tão logo é vista.

“É uma impressão comum aos leigos. Da mesma forma que o lenhador apenas enxerga este tipo de vegetação como uma excelente fonte de paus”, garante o professor Osmar Caversan, doutor em ecologia pelo Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e responsável pelo projeto “Passeando e aprendendo no cerrado”, em vigor há quatro anos na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

Foi a convite dele que a reportagem do Jornal da Cidade percorreu um trecho de preservação ambiental do cerrado, situado nas mediações da Unesp. A incursão aconteceu na manhã dia 5 de março, e apenas alguns metros do local foram visitados. A cada passo dado na companhia do professor, um novo cerrado se revelava.

“Esta planta, o barbatimão, é um excelente cicatrizante”, ensina Cavassan, provando de uma planta com uma folhinha de gosto amargo, que, à primeira vista, é bastante parecida com um arbusto.

Ao visitar uma área preservada do cerrado, além do conhecimento das propriedades farmacêuticas de cada planta, outras experiências sensitivas podem ser conquistadas. A mais notável é, sem dúvida, a diferença na qualidade do ar. O oxigênio puro invade os pulmões e o ambiente úmido facilita a respiração, propiciando uma sensação de bem-estar imediata.

Observar as texturas e as cores de cada planta existente no local também é um exercício fascinante. Desta forma, pode-se perceber que o rústico e o delicado, em tons pastéis ou vibrantes, convivem em perfeita sintonia e criam uma harmonia indescritível.

Projetos

Por perceber a diferença existente entre o cerrado conhecido teoricamente pelas descrição nos livros e o que impera na região de Bauru é que o professor Osmar Caversan deu início ao projeto “Passeando e aprendendo no cerrado”, realizado na área de preservação ambiental da Unesp.

“A ideia é encurtar o distanciamento entre o teórico e o prático criado nas escolas, que desestimula os alunos. Visitando o cerrado com o auxílio de um monitor, os alunos podem associar forma e função, utilidades e riscos, decidir se gostam ou não do que veem e adquirir a capacidade de avaliar a importância daquelas áreas”, analisa Cavassan.

O projeto está a serviço de toda a comunidade. Para participar é preciso agendar uma data de visita e preencher um questionário informando quais objetivos devem ser atendidos com a atividade.

Além da área de preservação da Unesp de Bauru, o Jardim Botânico e o Horto Florestal também contam com projetos que permitem a visita monitorada. Já a beleza das árvores do Parque Vitória Régia estão à disposição para apreciação todos os dias, 24 horas, para quando der vontade de sentir aquela sensação de paz e tranquilidade.

• Serviço

Universidade Estadual Paulista (Unesp). Centro de Divulgação e Memória da Ciência e Tecnologia (CDMCT). Avenida Engenheiro Luiz Edmundo Coube, 14-01, Núcleo Presidente Geisel. Telefones: (14) 3103-6078 ou 3103-6092. Horário de visita: deve ser previamente agendado.

Horto Florestal de Bauru. Avenida Rodrigues Alves, quadra 38, Vila Cardia. Telefone: (14) 3203-1899. Horário de visita: diariamente, das 7h às 11h e das 12h às 16h.

Jardim Botânico. Às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (próximo ao câmpus da Unesp, no final da avenida das Nações Unidas). Telefone: (14) 3281-3358. Horário de visita: diariamente, das 8h às 16h30.

Parque Vitória Régia. Avenida Nações Unidas, quadra 24. Horário de visita: funciona 24h, mas, por questões de segurança, recomenda-se evitar o parque após às 21h30.

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Copaíba

Nome científico: Copaifera langsdorffii

Altura: 10 a 15 metros

Diâmetro: 50 a 80 centímetros

Floração: Dezembro a março

Frutificação: Agosto a setembro

Características: É uma árvore frondosa, com folhagem densa, de grande porte e madeira avermelhada. Produz o famoso óleo de copaíba, que tem propriedades anti-inflamatórias, antitumorais e antissépticas, além de ser excelente fixador de perfumes. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) recomenda que a árvore não seja plantada em calçadas ou passeios públicos.

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