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Despertar para novos valores e avançar

Luiz Antonio Balaminut
| Tempo de leitura: 3 min

O ambiente pós-crise financeira, no qual o país encontra-se bem posicionado para receber investimentos do mundo todo, tem despertado o debate nos mais diversos setores sociais, governamentais e empresariais sobre estratégias para evitar que se perca esta grande oportunidade de se desenvolver.

Para confirmar a expectativa, basta ler a revista inglesa The Economist, de novembro, que traz na capa o título Brazil takes off (Brasil decola), ilustrado pelo Cristo Redentor sendo lançado ao espaço como um foguete. A previsão é que o país se torne a quinta economia do mundo até 2014.

A pergunta natural que se faz é se os empresários, executivos, líderes de equipes e profissionais liberais estão preparados para esta mudança. Ao mesmo tempo em que nos vemos diante de um cenário que pode nos encher de orgulho, o peso da responsabilidade também se apresenta e chega a provocar medo.

Se o Brasil está de fato decolando, o que está acontecendo com a sua empresa? Ela também decolou? E você, como empresário, está fazendo tudo que precisa para decolar? O fato é que não dá mais para perder tempo. Se as empresas não começarem agora mesmo a traçar objetivos para saber onde quer estar em 2014, definir estratégias para seus objetivos e começar a agir imediatamente, correm o sério risco de morrer na praia.

Nunca antes neste país a formação profissional e a atualização de linguagens foram tão importantes. Principalmente porque a ordem do dia é agregar valores, um princípio elementar para se desenvolver e competir, mas que exige escola e muita técnica.

Se por um lado as multinacionais que estão chegando ao país escolhem a região para se instalar de acordo com a qualificação da mão de obra disponível no local ou a eficiência da cidade em preparar seus jovens, por outro, as empresas já instaladas precisam investir no aprimoramento dos talentos que possuem para não se perder com o ritmo das mudanças.

Por sua vez, os profissionais que não se enquadram no novo cenário, infelizmente estão sendo colocados de lado. O lado bom é que os funcionários da linha de frente, que compreendem a missão da empresa, ganham cada vez mais espaço e são promovidos. E o que significa ser da linha de frente? Estar no grupo daqueles que além de talento levam consigo valores alinhados aos da organização.

Pelo que se vê, a maioria das micros, pequenas e médias empresas ainda precisam se atentar à movimentação e adequar linguagens de gestão, de processos e visuais. O que exige rapidez e posicionamento seguro, dois aspectos difíceis de administrar diante de tantas incógnitas que ainda turvam esse cenário aparentemente otimista para quem o vê de fora, mas cheio de problemas, se analisado de perto. Mesmo assim, não se pode negar que o momento é estimulante.

Sem orientação, muitas empresas correm o risco de perder a grande oportunidade, enquanto a nave Brasil, um tanto quanto cambaleante, avança no espaço. Na obrigação de ser mais severo com a realidade nacional que os ingleses, vejo ainda limitações de toda natureza para o país de fato ter uma boa performance em sua viagem, sem se esfacelar ao se deparar com as barreiras naturais do percurso, como competitividade com qualidade.

Além das limitações no ensino, o Brasil precisa passar por um choque de gestão na administração pública, investir em infraestrutura, melhorar suas estradas e sistemas de escoamentos de mercadorias, superar a burocracia, com menos papéis e carimbos, flexibilizar o modelo de contratos trabalhistas, permitir relações que não engessem acordos entre empregador e empregado, reduzir o ímpeto tributário, com menos impostos. É o malfadado “Custo Brasil”, que tanto tem contribuído para manter a economia no atraso em relação às grandes potências.

É de olho nesse panorama repleto de problemas e oportunidades que os empreendedores devem se planejar e agir, sem ilusão e ceticismo. Porque quem permanecer acomodado e não se capacitar e capacitar seus colaboradores corre o risco de ficar para trás, sonhando com um país que poderia ter sido, mas não foi.

O autor, Luiz Antonio Balaminut, é conselheiro da Câmara Técnica e coordenador do SPED e XBRL do Conselho Federal de Contabilidade - CFC - acesse www.balaminut.com.br | www.webleis.com.br

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