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Qualidade do ensino não avança em São Paulo - saiba o porquê

Saulo Rodrigues de Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Inicio meu texto perguntando: será que é desconhecimento ou será que é enganação o que Paulo Renato diz? No dia 11/3/2010, o senhor secretário de Educação Paulo Renato utilizou o espaço “Opinião” do Jornal da Cidade para dizer que os índices de educação em São Paulo melhoraram. Mas se esqueceu de mencionar que a melhora sutil apresentada pelos índices tornou-se possível graças a alterações realizadas na classificação das notas do Saresp. Em reportagem especial para a Folha de S.Paulo do dia 27/2/2010, o professor Ocimar M. Alavase, da Faculdade de Educação da USP, explicou a mudança da Secretaria de Educação, que em 2008 tinha por base quatro níveis de classificação: Abaixo do Básico, Básico, Adequado e Avançado, considerando aceitável que os alunos estivessem em “adequado” e “avançado”. Atualmente, e sem mais explicações, os antigos níveis básico e adequado foram agrupados no nível “Suficiente”. Diz o professor Ocimar: “a maioria que estava abaixo do desejado tornou-se uma maioria com aproveitamento suficiente, que somado ao desempenho avançado, faz do ensino fundamental paulista um processo no qual a imensa maioria tenha um bom desempenho”. Trocando em miúdos, se o modelo utilizado no ano passado fosse mantido, nenhuma das séries avaliadas teria superado o conceito básico.

A alteração ocasionou uma profunda mudança na interpretação da realidade das escolas estaduais. É um indício que põe em xeque a credibilidade das avaliações que o Governo José Serra (PSDB) impõe aos professores e ao funcionalismo público. A verdade parece insuportável realmente para o governo José Serra. Mas a verdade sempre aparece e a resposta às “desverdades” desse governo originou-se no formato da Greve dos Professores, que a Secretaria de Educação insiste em dizer que não passa de 1% de adesão. Na sexta-feira (12/3/2010) tivemos uma prova real dessa porcentagem: mais de 40 mil professores ocuparam as duas faixas da Avenida Paulista nas proximidades do vão livre do Masp. Só em Bauru, 12 escolas pararam totalmente. Agora, em quem acreditar? Faça você mesmo a conta, 1% de 220 mil é igual a 2.200.

O autor, Saulo Rodrigues de Carvalho, é professor do ensino básico da rede pública do Estado de São Paulo - em greve - militante do Coletivo Apeoesp na Escola e Na Luta

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