Os professores da rede estadual de ensino seguem em greve, que ontem completou uma semana, mas a adesão é parcial. Ontem, por exemplo, o JC consultou 15 das 19 escolas de Bauru. Em nove delas as aulas seguiam normalmente, em três estavam parcialmente paralisadas e nas outras três a adesão à greve era de 100%.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que ontem à tarde fez nova assembleia na Praça Rui Barbosa, em Bauru, espera que a adesão aumente. Cerca de 250 professores participaram do ato, que tinha como objetivo divulgar a manutenção da greve decidida em assembleia na Capital, na última sexta-feira.
“O evento de São Paulo contou com mais de 40 mil pessoas e determinou que a greve continua porque, até este momento, a gente não teve um posicionamento sobre acertos por parte do Estado”, explicou Idenilde de Almeida Conceição, coordenadora da sub sede da Apeoesp em Bauru.
Nandressa Dayna Riso da Silva, professora da escola estadual Carolina Lopes de Almeida, presente na assembleia de ontem na Praça Rui Barbosa, disse estar em greve desde a última quinta-feira, assim como a instituição onde atua, que tem 80% do quadro de professores paralisado. “A greve vai, pelo menos, até sexta-feira e não vamos nos sentir intimidados pelas ameaças do governo. Os professores estão conscientes, organizamos a paralisação para melhorar nossa situação e não para faltar no trabalho. Estamos decididos em oferecer as reposições necessárias para os alunos não perderem matéria”, afirma.
Idenilde disse à reportagem que não há levantamento do percentual de adesão dos professores de Bauru à greve, mas acredita que o movimento tende a crescer. “Temos escolas paralisadas totalmente, parcialmente e algumas prometeram parar a partir de amanhã (hoje). Os professores ficam muito tímidos porque o governo ameaça muito. Estamos aqui para tranquilizar os profissionais em relação à repressão do governo porque a greve é legal e eles não devem ter medo”.
Para tentar ampliar a adesão à paralisação, a Apeoesp organiza desde ontem o Comando de Greve, que são equipes que percorrem as escolas para tentar convencer os professores a parar de trabalhar. “O Comando de Greve saiu hoje (ontem) de manhã para conversar com as escolas de Bauru e amanhã eles também abrem diálogo com instituições de outras cidades, como Agudos, Lençóis Paulista e Piratininga”, informou Idenilde.
Além disso, a coordenadora da sub sede bauruense do Apeoesp disse que serão realizadas panfletagens em semáforos da cidade para divulgar os motivos pelos quais a categoria decidiu adotar a paralisação. “A partir desta quarta-feira, como foi deliberado na assembleia realizada em São Paulo, passaremos a realizar pedágios nos faróis para entrar em contato com a comunidade. Para dar uma satisfação e apresentar os motivos da greve”, avisa Idenilde.
Também presente na Praça Rui Barbosa, a diretora da sede regional de Bauru do Centro do Professorado Paulista (CPP), Vera Lúcia Durand da Silva, destacou que o Apeoesp não é a única entidade que apoia os professores nessa busca por melhorias na categoria. “Diversas entidades estão junto nessa luta. Nós do CPP apoiamos todos os profissionais que aderiram à paralisação”, declara.
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Reivindicações
A Apeoesp reivindica 34% de reajuste e revogação de duas normas da Secretaria do Estado da educação. Uma delas é usar a nota da prova como critério na atribuição de aulas – o sindicato quer que o critério de tempo de serviço volte a ser adotado em detrimento da nota da prova.
A outra é o critério para reajuste salarial, que atualmente é de nota obtida em avaliações feitas pela secretaria. Na semana passada, a Secretaria de Estado da Educação disse que os grevistas estão com o ponto cortado, ou seja, terão desconto salarial relativo às faltas, e estão perdendo condição de participar do bônus por resultados de 2010, que paga anualmente até 2,9 salários base.
Ontem, a Secretaria de Educação não respondeu ao JC sobre índice de adesão dos professores em Bauru à greve e se há possibilidade de negociação com a categoria. Na semana passada a pasta anunciou que a folha de pagamentos da Secretaria de Educação cresceu 33% entre 2005 e 2009. A remuneração inicial de um professor com jornada de 40 horas de trabalho é R$ 1.835,00.