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Professor da USP alerta para “falso jornalismo”

Da Redação
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O professor José Coelho Sobrinho, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), fez a palestra inaugural de Seminários Avançados de Jornalismo, evento que a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) organiza todos os sábados, no primeiro semestre de cada ano. No último dia 6, ele falou sobre “Jornalismo e novas formas de alienação”, relatando pesquisa de sua autoria, junto com alunos da USP, já em fase final, sobre a distribuição de jornais gratuitos nas grandes cidades, por todo o mundo ocidental.

O professor discutiu o tema com os alunos do último ano de jornalismo da Unesp, levantando um questionamento sobre a responsabilidade social do jornalismo. Explicou que os jornais gratuitos podem ser chamados de jornais, mas não se pode dizer que fazem jornalismo porque não trabalham com apuração nem com aprofundamento, limitando-se a transcrever notícias de outros meios e da Internet, superficialmente, buscando apenas apresentar variedade de informação. “No entanto, informação não é comunicação”, destacou.

Para Coelho, o objetivo real desses jornais – que atingem tiragens de 20 milhões de exemplares, ou mais, no mundo – é veicular publicidade, utilizando um suporte disfarçado de jornalismo. Uma característica desses “jornais”, segundo o professor, é que eles nunca “sujam as mãos”, isto é, nunca se envolvem em causas polêmicas, em defesa do interesse público, não têm sequer uma linha editorial como os jornais convencionais.

Portanto, diz, não deviam ser tratados como mídia, mas como meros suportes publicitários. Para Coelho, são alienados dos interesses sociais e prestam serviço a si mesmos e não à sociedade, como deve ocorrer com o jornalismo eticamente comprometido com a população e com os seus leitores.

Autor de vários livros na área, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Jornalismo Investigativo, o professor José Coelho Sobrinho disse que jornalismo não pode ser meramente técnica, tem que ser compromisso com a cidadania pois o direito à informação de qualidade está previsto na constituição, embora lamentando que os cursos de comunicação sequer ensinam isto aos seus alunos nos quatro anos da faculdade.

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