Tribuna do Leitor

“Um caso de descaso”


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Venho utilizar este canal para extravasar minha indignação com o péssimo atendimento recebido no Hospital da Unimed, dito modelo de modernidade e de bom atendimento. Sábado, dia 13 de março de 2010, recorremos a esse hospital para que meu avô, um senhor de 84 anos, que acabara de sofrer um desmaio e devido ao tombo sofrera diversos arranhões no rosto e um grande machucado no cotovelo, além de estar apresentando muita fraqueza, febre e vômito constantes.

Demos entrada no Pronto Atendimento por volta das 16h30 pela porta usada pelas ambulâncias. Meu avô precisou de uma cadeira de rodas para sair do carro e foi encaminhado para uma sala. Após grande tempo aguardando solicitaram alguns exames e o colocaram “no soro”.

Foi pedido exame de sangue e de urina, este último inclusive nunca foi realizado, devido ao meu avô não conseguir urinar. Após mais ou menos 4 horas da entrada no P.A., para minha total surpresa, meu avô obteve alta, já que segundo o médico que o examinou não encontrou nada alterado no exame sanguíneo. A única recomendação que fizeram a ele foi que procurasse um geriatra.

Eu sou leigo em medicina, mas acredito que se ele estava tendo febre e não conseguia urinar, alguma infecção estava agindo. Ao ler o exame que o médico disse estar normal, notei que os valores de referência estavam todos acima dos encontrado no sangue do meu avô; então como poderia estar normal? Não consigo entender.

Ao voltar para casa, com a mesma aparência que entrou no hospital, ou seja, sem nem ao menos terem feito um curativo nos machucados e com os mesmos sintomas: fraqueza, febre e vômito como poderia ter recebido alta? Como um médico pode mandar uma pessoa de 84 anos, nitidamente doente, voltar para casa? O que é isso? Que absurdo é esse?

A Unimed cobra um valor extremamente elevado para planos de saúde de pessoas idosas e na hora que seus conveniados necessitam de atendimento são tratados como “gado”. Se não têm estrutura para manter um Pronto Atendimento que fechem essa unidade e não façam propaganda enganosa de seus serviços. Profissionais não agem da forma como eu presenciei lá.

O descaso naquele hospital não se deu exclusivamente com meu avô. Muitas das pessoas que por lá passaram sofreram com o despreparo e o desrespeito transmitidos. Todos que lá estavam presenciaram o sofrimento de uma mãe, tendo que praticamente implorar para que seu filho recebesse algum atendimento, uma maca que fosse, pois o rapaz estava muito mau. E esse caso eu flagrei de frente, já que o rapaz estava sentado/deitado na minha frente na sala de espera e precisou correr para poder não vomitar na frente de todos, tendo que deslocar-se ao banheiro. Isso é, com certeza, no mínimo humilhante para o rapaz e a família.

Na manhã seguinte, domingo, dia 14 de março de 2010, levei meu avô ao Pronto Atendimento do Hospital Beneficência Portuguesa, onde prontamente fora atendido e encaminhado à internação para que os exames necessários fossem realizados. O próprio médico da Beneficência ficou pasmo ao saber que meu avô já tinha procurado atendimento antes e que tinha sido encaminhado de volta pra casa. Ele disse que de forma alguma um senhor naquela idade poderia ter recebido alta sem terem identificado o que estava acontecendo com ele.

Eu, como ser humano, indiferente de ser neto, fiquei abismado com o que vi naquele Hospital da Unimed. Como somos mau tratados lá. O que adianta toda aquela aparência externa se por dentro não passa de uma farsa? Absurdo total o que ocorre lá! Se uma pessoa, com 84 anos, franzina, sangrando na face e no braço, com febre, fraqueza extrema e vomitando sem parar recebe um atendimento negligente; nem quero imaginar o que é feito de uma pessoa mais jovem e teoricamente mais forte... ou melhor, eu posso sim.

Vi como eles tratam a todos lá! Precisam fazer alguma coisa para melhorar aquilo ou, caso contrário, muita gente corre o risco de voltar para morrer em casa.

Daniel Francisco Rascão Selmo - técnico em informática

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