O secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, confirmou ontem que orientou os diretores regionais de ensino a substituir os professores em greve por eventuais. Além disso, as faltas serão computadas e a Corregedoria do Estado poderá abrir processos administrativos para apurar responsabilidade nas escolas que permanecem fechadas.
“Serão pagos apenas os dias trabalhados e as aulas dadas”, diz o secretário. “Mandem seus filhos para a escola, porque estamos tomando providências”, avisa o secretário estadual da Educação, dirigindo-se aos pais a propósito da greve deflagrada na rede pública em todo o Estado na semana passada.
Oficialmente, a secretaria admite que há paralisação em 55 escolas do Estado, o equivalente a 1% dos cerca de 5.500 estabelecimentos. Deve-se somar a isso a adesão parcial nas demais escolas, mas nas contas oficiais esses números não estão consolidados para divulgação.
Enquanto a Apeoesp, a entidade oficial dos professores, divulga percentuais de paralisação com dois dígitos, Paulo Renato diz não ser possível quantificar o número exato porque o ponto dos professores ainda é manual e apurado mensalmente. Mas, garante ele, a realidade está muito longe daquela divulgada pela entidade.
“Seria leviano estimar um número, mas é certamente baixo, pois do contrário, estaríamos assistindo a uma crise muito maior do que estamos verificando agora”, diz o secretário. Se os índices divulgados pela Apeoesp fossem reais, destaca Paulo Renato, “estaríamos percebendo”.
“Já enfrentei muitas greves, mas agora a percepção é que a adesão é baixa”, afirma. “A Apeoesp está tentando fazer com que os alunos façam a greve por eles”, diz o secretário, segundo o qual em várias cidades do Interior, emissoras de rádio divulgam apelos aos pais para que não mandem seus filhos à aula.
“Em cidades pequenas, a Apeoesp está constrangendo os professores”, acrescenta. Paulo Renato diz que o movimento “é político” e que a greve transcorre sem negociação porque não foi anunciada e a secretaria nunca foi procurada a respeito. O secretário não acena com o atendimento de nenhum item da pauta de reivindicações divulgada pela entidade, com a ressalva de que “sempre estamos abertos para conversas”.
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‘Ameaça não nos amedronta’, afirma coordenadora da subsede da Apeoesp
Recebida como ameaça pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a orientação do secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, para substituir os professores paralisados por eventuais não irá intimidar o movimento grevista, segundo afirmou ontem a entidade da categoria. De acordo com a coordenadora da subsede da Apeoesp em Bauru, Idenilde de Almeida Conceição, a adesão do professores, ontem, chegou a 60% nas escolas da cidade e a expectativa, até o final da semana, é que esse índice ultrapasse os 90%.
“Nós já esperávamos essa ameaça e isso não nos amedronta. Depois da greve, nós iremos negociar os dias parados e, como a legislação não permite que o diretor da escola pague dois professores para a mesma aula, o secretário terá de responder por essa postura. A greve foi nosso último recurso, porque ele não abriu negociação com a categoria”, observa a coordenadora.
Dando sequência à mobilização, hoje o Comando de Greve continua a percorrer as unidades educacionais para tentar convencer os professores a cruzar os braços e irá distribuir panfletos à população para informar sobre os motivos da paralisação.
Na próxima sexta-feira, pelo menos dois ônibus devem sair de Bauru levando lideranças regionais que irão participar da assembleia geral, marcada para 14h, na Capital, para definir os rumos do movimento.