Amã - O presidente Lula e o rei Abdullah II, da Jordânia, discutiram ontem meios para retomar as negociações de paz entre palestinos e israelenses, atualmente estagnadas. Durante um encontro a portas fechadas, o rei da Jordânia e o presidente brasileiro “examinaram os últimos fatos na região e os meios de superar as dificuldades que impedem o avanço do processo de paz entre palestinos e israelenses”, informou o Palácio da Jordânia. Em seguida, houve uma reunião com as delegações dos dois países para discutir as relações econômicas bilaterais, principalmente em relação a energias renováveis, indústria, água e agricultura.
Lula expressou o interesse brasileiro em “adotar medidas práticas que favoreçam a cooperação econômica bilateral, que incluam o estabelecimento de empresas mistas e a construção de uma associação econômica por meio de uma maior cooperação entre os setores público e privado de ambos Estados”, informou a nota do Palácio.
Ambos os líderes concordaram em estabelecer uma equipe conjunta entre setor público e privado para elaborar um plano de revitalização da cooperação bilateral econômica, comercial e de investimentos.
Lula chegou ontem a Amã para uma visita de dois dias, a primeira de um chefe de Estado brasileiro à Jordânia.
“Palestina livre”
Lula defendeu ontem, em visita à Cisjordânia, a criação de um Estado palestino. “Eu sonho com uma Palestina livre e independente no Oriente Médio”, disse Lula, em Ramallah. Lula passou por Israel, onde defendeu maior esforço para um acordo de paz na região, e visitou ontem o túmulo do ex-líder palestino Yasser Arafat, além de inaugurar a avenida Brasil, em frente à sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP). “Eu acredito que os palestinos e os israelenses vão dividir a terra de seus antecessores.”
O brasileiro colocou uma coroa de flores na tumba de Arafat, apesar das duras críticas de Israel, diante da recusa de Lula de visitar o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl. Logo depois, Lula participou da inauguração da avenida com o nome do Brasil. A via, que dá de frente para o túmulo de Arafat, fica no centro de Ramallah, em um bairro tranquilo e arborizado, que abriga tanto residências como representações diplomáticas.