Tribuna do Leitor

Quarteto de cordas Romanov


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Parabéns, Sesc de Bauru! A classe mais discriminada em nosso sofrido país assolado pelo populismo e o culto ao amadorismo medíocre, aqueles que apreciam a linguagem universal da música erudita agradecem ao Sesc por esta oportunidade única de assistir a um espetáculo de tão alto nível. O Sesc, através dessa maravilhosa iniciativa, sem nenhuma demagogia política, tem a coragem de integrar a nossa querida Bauru ao resto do mundo civilizado, para que também nós bauruenses e outras pessoas da região tenhamos a oportunidade de apreciar espetáculos que representam o que há de melhor do gênio humano. Me senti tão privilegiado como se fosse um moscovita, um nova-iorquino ou um vienense para quem espetáculos como esses são tão populares como um desfile carnavalesco, uma novela da Globo, um Big Brother Brasil ou um jogo do Corinthians.

O Quarteto Romanov é formado pelo violinista russo Alexei Chashnikov, integrante da OSESP desde 2002, Tatiana Vinogradova, também russa e integrante da OSESP desde 2002, o violista Simeon Grinberg, também russo e também membro da OSESP desde 2003, e o violoncelist,a brasileiro Rodrigo Andrade Silveira, conhecido mundialmente como um dos grandes cameristas da atualidade.

A virtuosidade do Quarteto Romanov tornou-se evidente desde as primeiras notas da primeira peça, um quarteto de Mozart, todos os componentes do quarteto estavam afinadíssimos e em completa sintonia entre si mesmos, eram quatro músicos e uma só alma. Alexei Chashnikov como primeiro violino conduziu o grupo de virtuosos com maestria e segurança, embora todos eles sejam brilhantes solistas, nenhum se destacava sobre os outros, mas complementavam-se uns aos outros como números em formas matemáticas produzindo maravilhosas e surpreendentes equações. O diálogo entre os instrumentos fluiu como uma brisa num campo florido da primavera, o primeiro violino lançava um tema que era acolhido pelo segundo violino que, por sua vez, o transmitia para o cello e deste transmitido à viola de forma que as mais maravilhosas harmonias iam se formando. O público em silêncio absoluto foi transportado a outra dimensão onde a beleza, a paz e a harmonia reinam. O minueto do quarteto de Mozart encantou a todos de modo especial pelo solo do primeiro violino acompanhado de pisicatto nos outros instrumentos, quando em vez de usar o arco nas cordas, os músicos as beliscavam com seus dedos.

A segunda peça foi o maravilhoso quarteto de Haydn, cujo tema do segundo movimento tornou-se o hino nacional da Áustria. Esse tema é desenvolvido numa série de variações que exploram ao máximo toda a beleza que um tema musical pode oferecer. Este foi um domingo a ser lembrado com saudade e esperança que o Sesc possa continuar com esse programa “O prazer de ouvir” que conta com a colaboração da grande pianista cubana de nascimento, mas brasileira de coração profa. dra. Rosa Maria Tolon, da profa. dra. Maristella Pinheiro Cavini e do ilustríssimo maestro dr. Marcos Virmond. Aproveito para cumprimentar a maestrina Sonia Berriel, o professor Marlon e família, sra. Maria Lucia Bevilaqua, a sra. Jussara Del Coletto e os jovens membros do quarteto de cordas de Bauru que, com sua presença, estimulam o desenvolvimento cultural de nossa querida Bauru.

Benedito Sampaio Guedes de Azevedo - professor

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