Havana - Em carta aberta, a ONG Repórteres Sem Fronteiras pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que interfira junto a Havana em favor dos prisioneiros políticos do regime
“O Brasil e a comunidade dos países da América Latina são os únicos a poderem demover o governo cubano da repressão aos direitos humanos e à liberdade de informação”, diz o documento assinado pelo secretário-geral da ONG, Jean-François Julliard.
O texto questiona se a “lembrança de princípios universais fundamentais” como a liberdade de expressão e de livre circulação constitui ingerência e evoca a atuação do Brasil na crise em Honduras para afirmar que o país já foi acusado de ingerência ao ir “contra a injustiça”.
“Por que o mesmo não aconteceria no caso de Cuba, onde 200 pessoas se encontram privadas de liberdade pelo simples motivo de pensar diferentemente de seus dirigentes? (...) Como o seu governo, que trabalha em prol da liberdade de expressão e o acesso dos cidadãos à informação, poderia permanecer surdo diante deste apelo?”, questiona.
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Dissidente cubano em greve de fome critica Lula
Havana - O dissidente cubano Guillermo Fariñas, que deixou de comer e beber há três semanas pedindo a libertação de 26 presos políticos, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em declarações à rádio paraguaia Ñandutí AM. “Lula não respeitou a memória de Orlando Zapata”, disse Fariñas em declarações feitas por telefone à rádio hoje.
Zapata, que era preso político, morreu em 23 de fevereiro, depois de dois meses e meio de greve de fome para exigir melhores condições na prisão. A morte de Zapata coincidiu com a visita de Lula a Cuba e gerou críticas internacionais sobre a situação dos direitos humanos no governo de Raúl Castro.
Fariñas também pediu ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que se pronuncie sobre a situação em Cuba. “Faço um apelo a Fernando Lugo, que se pronuncie a favor das vítimas ou dos algozes.”
Na semana passada, o assessor da Presidência para os Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia, afirmou ontem que o governo brasileiro “não é uma ONG” e que não irá intervir na atual crise dos direitos humanos em Cuba porque “se relaciona com outros governos, e não com dissidentes”.
Fariñas recebe atualmente assistência médica em um hospital de Santa Clara, em Cuba. Ontem, em sua entrevista à rádio paraguaia, Fariñas acusou Lula de ser cúmplice do regime cubano. “A história se encarregará de colocá-lo em seu lugar. Não é um democrata”, afirmou o cubano.