As novas tecnologias tornaram o ambiente de trabalho um local onde imperam a velocidade e a virtualização, é algo que está transformando a empresa do século XXI. Nesse contexto, as funções são redesenhadas, os estilos de liderança são repensados e os padrões comportamentais são redefinidos. Façamos uma rápida viagem ao passado. O historiador David Landes relata - com precisão - que as máquinas que alavancaram as primeiras fábricas tinham uma característica em comum, elas dependiam dos longos intervalos da evolução tecnológica da época. Por exemplo: o primeiro engenho a usar vapor foi patenteado em 1698; a primeira máquina a vapor foi a de Thomas Newcomen, em 1705. Um longo período transcorreu antes de James Watt inventar (1768) uma máquina para produzir vapor e dar impulso às indústrias daquela época. Interessante? Mas o que a história poderia nos ajudar? A resposta é que ela nos permite compreender as necessidades contemporâneas. Assim, se por um lado as empresas vivem na hipervelocidade, por outro, identificamos as mudanças que são exigidas no comportamento das pessoas, tais como: rapidez e aprendizagem constante, flexibilidade de pensamento, interesse contínuo e múltiplo, desapego ao status quo, entre outros. As empresas do passado não tinham essas características, nem mesmo determinavam essas atitudes. Veja o caso da máquina de datilografia – entre tantos outros equipamentos. Ela ocupou a mesa das secretárias num período suficiente para permitir que mais de uma geração de profissionais a utilizassem. Essa fase favoreceu as recomposições das estratégias e dos comportamentos de todos participantes nas empresas. Hoje, muitos softwares, por exemplo, não persistem por longos períodos. O tempo, a propósito, agora está mais estreito e impõe uma nova cultura da transição tecnológica. Os métodos de ensino-aprendizagem dos departamentos de gestão de pessoas, das instituições acadêmicas e até dos autodidatas devem passar por uma adaptação ao ambiente fugaz. Diante desses fatores, como deve ser um profissional? De modo conciso, podemos afirmar que ele deve buscar o mesmo caminho das grandes corporações: investir em conhecimento. Sobre essa aspecto, o jornal francês La Tribune destacou os dados de uma pesquisa realizada pelo conselho estratégico de uma consultoria européia, eles revelam que os investimentos em conhecimento foram considerados imprescindíveis pelas grandes corporações, além de ser uma forma de garantir a continuidade delas. Em síntese, o conhecimento necessita ser direcionado não apenas ao atendimento das necessidades transitórias, mas à perspicácia em absorver o perene, aquilo que não se perde diante da velocidade, e que pode determinar o tempo que um profissional ou uma empresa vai existir.
O autor, Renato Dias Baptista, é doutor em comunicação pela PUC-SP, psicólogo, docente da Universidade Estadual de Londrina - UEL - e da Universidade Paulista - Unip - e-mail: rdbapt@gmail.com. Blog: www.ideiaswireless.blogspot.com