Brasília - Após 35 dias preso na Polícia Federal, o governador cassado José Roberto Arruda (sem partido) vai passar a noite em observação no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal. Arruda passou por uma bateria de exames cardíacos ontem que confirmou a suspeita de obstrução de 50% de uma artéria coronariana que será tratada com medicamentos.
O médico particular de Arruda, Brasil Caiado, no entanto, afirmou que o estado de saúde do governador cassado pode ser agravado pelo estresse do ambiente. “A gente sabe que o estresse participa e ajuda no desenvolvimento da doença coronária. A agente sabe também que o ambiente que ele esta submetido é de estresse e ajudaria no desenvolvimento da doença coronária. Esse estresse vai colaborar para a progressão da doença. Ele tem muito menos estresse em casa do que na Polícia Federal. Em casa, o estresse é menor mesmo como todas essas questões (dos processos).”
O médico forneceu um laudo aos advogados de Arruda que ficaram por quatro horas no hospital acompanhando os exames. Anteontem, a defesa entrou com pedido de prisão domiciliar para o governador cassado até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) avalie a revogação da prisão. No pedido, os advogados alegam que a saúde do ex-democrata está abalada na prisão.
Arruda deve ser submetido a uma nova tomografia para avaliar o grau da doença coronária em 90 dias. Caiado recomendou ainda dieta e exercício físico. “Observando o músculo cardíaco, não observamos sofrimento do músculo. Por isso optamos pelo tratamento clínico que compõe medicamentos, dieta, exercício físico, combate ao estresse, entre outras coisas”, explicou.
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Prisão domiciliar rejeitada
Brasília - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, se posicionou contra a concessão da prisão domiciliar para o governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido). Para Gurgel, a prisão domiciliar, solicitada anteontem pelos advogados, seria o mesmo que colocar Arruda em liberdade.
Segundo o procurador, em liberdade, o governador cassado ainda tem condições de influenciar na produção das provas do esquema de arrecadação e pagamento de propina. “Eu descarto a prisão domiciliar. A prisão domiciliar seria inócua. Ela corresponderia à soltura porque ele teria as mesmas condições de tentar influir na produção das provas”, disse.
Gurgel disse que pretende entregar hoje ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) seu parecer sobre o outro pedido da defesa, que prevê a revogação da prisão de Arruda. “Com relação ao primeiro (pedido de revogação da prisão) que já recebemos, nós já nos preocupamos com as alegações de que as condições na prisão não seriam adequadas, embora as informações da PF apontem em sentido contrário, pedimos mais um relatório à PF e o parecer será encaminhado ao STJ hoje”, disse.
O procurador disse acreditar que não será preciso melhorar as condições de Arruda na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Os advogados do governador entraram anteontem com um pedido de prisão domiciliar para Arruda enquanto o STJ não analisar o pedido de liberdade. A defesa alega no pedido de prisão domiciliar que a custódia deixou a saúde de Arruda debilitada, e agravou o quadro de diabetes e pressão alta.