Nacional

Após matar Glauco e o filho Raoni, estudante pretendia sequestrar viúva

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24 anos, o Cadu, acusado de matar o cartunista e líder religioso Glauco Vilas Boas, 53 anos, e seu filho Raoni, 25 anos, confessou à polícia que planejava sequestrar Beatriz Galvão, viúva de Glauco, quando retornasse do seu refúgio no Paraguai.

Nunes foi preso na noite de domingo ao tentar atravessar a ponte da Amizade em Foz do Iguaçu (PR). Na noite de quinta-feira, ele matou Glauco e Raoni a tiros na chácara do cartunista em Osasco (Grande SP), após tentar sequestrá-lo.

Seu objetivo era cumprir seu “desejo” de esclarecer, por meio de um líder religioso, quem foi seu irmão, Carlos Augusto, 22 anos, em outras encarnações.

“Teria de se ausentar do local, mas voltaria até conseguir realizar seu intento que dissessem que seu irmão é o Cristo encarnado”, diz trecho de seu interrogatório à Polícia Civil de Osasco anteontem em Foz do Iguaçu, onde ele continua preso na sede da Polícia Federal local.

Além de Beatriz, outro possível alvo de sequestro de Nunes era o líder religioso de nome Alfredo, também integrante da igreja Céu de Maria, fundada e dirigida pelo cartunista. A sede da igreja fica também na chácara onde Glauco morava.

O advogado de Nunes, Gustavo Badaró, confirma que seu cliente tinha esse plano, mas, para ele, a confissão reforça sua versão de que o rapaz não tinha intenção de matar quando foi até a casa do cartunista.

Para ele, a polícia distorce os fatos ao afirmar que o crime foi premeditado. “Em seu depoimento, Carlos Eduardo deixa claro que nunca teve a intenção de matar ninguém”, afirmou.

Para a polícia, o fato de Nunes ter vendido drogas na região da Vila Madalena (zona oeste) para comprar a arma, como ele mesmo admite, demonstra esse planejamento.

Celular

Ontem, a polícia ouviu a psicóloga Eneida Iasi, mãe de Felipe de Oliveira Iasi, 23 anos, que levou Nunes de carro até o local do crime. O objetivo era tentar esclarecer a participação de seu filho no crime. Há suspeita de que Iasi transportou Nunes na fuga após os assassinatos.

Além de ouvir a psicóloga, policiais fizeram ontem uma cronometragem do trajeto feito por Iasi após deixar a chácara de Glauco na rota apontada pelo rastreador de seu carro. Os policiais querem saber se, de fato, ele não ajudou o assassino na fuga, como disse em seu depoimento.

Quebra de sigilo

A polícia pediu à Justiça a quebra de sigilo do telefone celular de Nunes . O delegado Marcos Carneiro Lima, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), fez o mesmo pedido em relação ao estudante Felipe Iasi, 23 anos, que dirigiu o carro que em que Nunes chegou à chácara de Glauco, em Osasco.

A Justiça vai analisar o pedido e, caso os aprove, enviará a ordem para as operadoras responsáveis pelos telefones de Nunes e Iasi. A quebra do sigilo visa identificar as pessoas que receberam ligações ou ligaram para os dois rapazes na noite do duplo assassinato.

Segundo Lima, o trajeto percorrido por Nunes após o crime foi descoberto pela análise do registro do sinal do celular. O delegado informou que, após sair da casa de Glauco, o acusado percorreu cerca de 8 quilômetros em apenas nove minutos, o que seria impossível a pé. A polícia também não acredita que Nunes conseguiria um taxi ou abordar outro motorista durante a madrugada e em uma região isolada como a da chácara do cartunista.

Comentários

Comentários