Tribuna do Leitor

Fernando Heitor - um anjo disfarçado de amigo


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No quarto do hotel o telefone toca e alguém diz: - Perdemos o Fernando em um acidente de trânsito, onde ele foi atropelado! Peço a Deus que te receba com um abraço acolhedor, Fernando! Fiquei sem fôlego, com algo preso na garganta.Meu amigo, Meu primo querido havia partido sem tempo de nos despedirmos, sem tempo dele me entregar a música que estava escrevendo pra mim, sem tempo pra qualquer outra reação.

Faço um show de corpo presente mas com a mente e o coração em Jaú, no céu. Vou o mais rápido que o meu carro e a sanidade me permitem para Jaú, mas não chego a tempo de dar o último adeus. Resta-me o consolo de que meu amigo Fernando Heitor Raphael Silveira, deixa como legado para a humanidade uma história baseada em princípios cristãos, índole intocável, dois filhos lindos, inteligentes e muito amados, uma família bem estruturada e uma esposa cuja personalidade vai continuar sendo um espelho do que ele foi.

De repente, tudo muda por causa de um atropelamento horrível, onde a única, última e nobre atitude tomada pelo Fernando foi parar para tentar socorrer os feridos de um acidente de trânsito. Morreu na hora, sem chances de salvamento, de despedidas e acredito, sem ter sofrido. No último dia 23 de janeiro Fernando nos deixa com esse nó na garganta, com um buraco aberto no peito, onde fica sufocado um grito de saudade.

Fica para nós o dever e a responsabilidade de propagar sempre aos quatro ventos a grandeza de caráter deste ser humano, deste artista disfarçado de advogado, deste anjo que esteve aqui entre nós, disfarçado de amigo, irmão, marido e pai. Cabe a nós honrarmos sua memória e cuidarmos com amor da Mirys e das crianças. Cabe a nós colocarmos em prática um pouco do que ele viveu. O Fernando foi um homem que viveu como ninguém sua música, seu amor, sua família.

Serviu a Deus e a seu próximo e me deu a honra de ter feito parte de alguns desses momentos, assim como esteve presente em alguns dos meus mais importantes. Foi-se um homem que foi bom. Até o fim. Até no fim.

Peço que Deus te receba com um abraço tão acolhedor como era o nosso.

Robson Caffé, músico, brasiliense radicado em São Paulo. Créditos a Bell Mainard, bauruense, radicada em Santos/SP

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